Os presidentes Lula e Trump podem se reencontrar nesta semana na Assembleia Geral da ONU, em Nova York, um ano após a 1ª conversa pessoal dos dois. O encontro ocorre em meio à negociação sobre terras raras, moeda de troca dos EUA no tarifaço.

Segundo o Valor Econômico, o encontro pode incluir um café entre os discursos de abertura desta terça (22), quando o Brasil abre a Assembleia Geral, seguido pelo país anfitrião. No ano passado, os dois só haviam se cruzado na antessala da plenária.

O Brasil não se curvará à arrogância de nenhum presidente de nenhum país do mundo

A frase é de Lula, na quinta-feira (17), ao rejeitar exigências dos Estados Unidos vazadas à imprensa. Segundo o presidente, a lista inclui direito de compra prioritária das terras raras brasileiras por empresas americanas e restrições a investimentos chineses no setor.

Os EUA chegaram a oferecer alívio nas tarifas de 50% em troca de acesso aos minerais críticos, dentro de uma lista com 21 exigências apresentada em outubro de 2025 ao chanceler Mauro Vieira.

Sem acordo, o governo americano retomou o tarifaço em julho, e a taxação soma até 37,5% em alguns setores.

"Nós agora queremos explorar aqui e vender o produto acabado aqui", afirmou Lula, defendendo a industrialização local das terras raras, de baterias, chips e equipamentos de energia renovável, em vez da simples exportação da matéria-prima.

O presidente também separou os dois lados do governo americano: disse que a relação pessoal com Trump é boa, mas acusou o secretário de Estado, Marco Rubio, de travar acordos com países latino-americanos. A negociadores brasileiros favoráveis às condições dos EUA, chamou de traidores.

O Brasil detém a 2ª maior reserva mundial de terras raras, minerais usados em carros elétricos, drones, turbinas e equipamentos militares. Os Estados Unidos buscam diversificar fornecedores depois que a China restringiu exportações do material, e veem no Brasil um parceiro estratégico.

Apenas 30% do território brasileiro tem reservas minerais mapeadas, segundo o governo. Para lidar com esse gargalo, Lula criou o Conselho de Política Mineral, ligado à Presidência, e destinou R$ 7 bilhões à Política Nacional de Minerais Críticos.

O impasse com os EUA já entrou também na diplomacia com outros países. O chanceler Mauro Vieira enviou o embaixador Celso Amorim à China, que entregou carta de Lula a Xi Jinping com críticas à ingerência americana.

As exigências dos EUA já foram chamadas de desproporcionais por especialista ouvido pela imprensa.

No campo econômico, o governo lançou o Brasil Soberano 3, linha de R$ 22,6 bilhões do BNDES para empresas afetadas pelo tarifaço.

Na campanha eleitoral, o tema virou munição política: um vice de partido aliado chegou a dizer que a campanha de Lula fala de terras raras, não do povo.

O que acontece agora

As equipes técnicas dos dois países têm uma reunião presencial marcada entre 30 de setembro e 1º de outubro para discutir os termos do acordo sobre terras raras, depois do possível encontro entre os presidentes na ONU.

Até lá, o tarifaço aplicado em julho continua em vigor sobre parte dos produtos brasileiros.