O Irã executou neste sábado (19) Hossein Pedaran, condenado pela Suprema Corte iraniana por espionagem para Israel. Segundo a agência oficial Mizan, ele confessou ter sido recrutado pelo Mossad e ter fornecido dados sobre instalações de mísseis na província de Isfahan.
O caso não é isolado. Ele é o mais recente de uma onda de execuções que a Anistia Internacional já documentava antes mesmo da sentença de Pedaran ser divulgada.
É um conflito que já levou o preço do petróleo a oscilar por causa das negociações sobre o Estreito de Ormuz.
O que Pedaran foi acusado de fazer
Segundo o veredito citado pelo Metrópoles, Pedaran tentou oferecer informações militares classificadas ao Mossad em troca de dinheiro. Ele teria enviado uma mensagem à CIA, sem resposta, e outra ao serviço de inteligência israelense, que aceitou a proposta.
A acusação diz que ele recebeu treinamento para enviar relatórios e arquivos criptografados sobre bases ligadas ao programa de mísseis do país. Isfahan, onde ficam as instalações citadas, abriga estruturas do programa nuclear iraniano e já foi alvo de bombardeios.
A guerra entre Irã, Israel e Estados Unidos, iniciada em fevereiro, turbinou até a venda de petróleo do Brasil à China, com o mercado global de energia pressionado pelo conflito.
A onda de execuções por trás do caso
Um relatório da Anistia Internacional, de julho, contabilizou pelo menos 52 execuções politicamente motivadas desde o início da guerra, em 28 de fevereiro. Metade desse total, ao menos 26 pessoas, foi executada por participação nos protestos de janeiro, não por espionagem.
Outras 60 pessoas seguem condenadas à morte e correm risco de execução, incluindo três que foram presas ainda menores de idade, segundo a mesma organização.
Heba Morayef, diretora da Anistia para Oriente Médio e Norte da África, resumiu o padrão identificado pela entidade.
As autoridades iranianas estão desencadeando uma onda horrível de execuções e sentenças de morte para punir e suprimir a dissidência.
Organizações de direitos humanos apontam o Irã como o país com o segundo maior número de execuções do mundo, atrás apenas da China.
Em agosto, o Judiciário iraniano já havia anunciado a execução de outros dois homens acusados de repassar a Israel coordenadas de instalações estratégicas.
O ponto em aberto
O padrão documentado pela Anistia mistura duas coisas que a propaganda oficial trata como uma só: espionagem real para uma potência inimiga e dissidência interna contra o governo. A maioria das 52 execuções políticas contadas desde fevereiro não tem relação com o Mossad.
Enquanto o Judiciário iraniano anuncia casos como o de Pedaran com riqueza de detalhes técnicos sobre a espionagem, os processos ligados aos protestos de janeiro raramente chegam à imprensa com o mesmo nível de informação.
É essa assimetria, mais que qualquer caso isolado, que organizações internacionais dizem observar desde fevereiro.





























