Foi em um churrasco marcado para celebrar o Dia do Gaúcho, em 20 de setembro de 2019, que um grupo de moradores de Portugal nascidos no Rio Grande do Sul decidiu criar um espaço para manter viva a tradição gaúcha no norte do país europeu.

A ideia surgiu em Braga, depois de um encontro no Dia do Brasil, quando os brasileiros se reconheceram em meio à festa pelas camisas de Internacional e Grêmio e pelo chimarrão.

Segundo Patrick Ribeiro, fundador do Piquete Querência da Saudade, a proposta inicial era montar um Centro de Tradições Gaúchas (CTG). A ideia deu lugar a um piquete, considerado uma estrutura mais simples para começar.

Nós pensamos: estamos longe da querência, e isso nos dá uma imensa saudade. Ficou Querência da Saudade.

Patrick chegou a Portugal em agosto de 2019 e, em 2026, completa sete anos no país. É natural de Alegrete, na Fronteira Oeste do Rio Grande do Sul. Além dele, outros seis amigos fundaram o piquete, todos com suas famílias.

Hoje o grupo reúne cerca de 25 pessoas diretamente envolvidas na organização. Considerando toda a rede de apoio, o número chega a aproximadamente 50 pessoas.

Para o evento deste sábado (20), em Braga, a expectativa é receber cerca de 700 pessoas vindas de diferentes regiões de Portugal, como Lisboa, Porto e Coimbra, além de participantes que devem se deslocar da Espanha. No ano anterior, o encontro reuniu 400 pessoas.

A festa que começou com cerca de 30 amigos às margens de um rio hoje reúne quase 700 pessoas numa só noite.

O estranhamento no início

Patrick relembra que, no começo, alguns costumes gaúchos causavam estranhamento entre os portugueses. Pouco depois de chegar a Braga, ele foi barrado ao tentar entrar em uma loja carregando um chimarrão.

"Perguntei: 'qual o problema?' e ele disse 'a gente não sabe o que tu estás usando', dando a entender que eu poderia estar usando alguma droga", contou Patrick.

"Expliquei que sou do sul do Brasil, que a gente tem o costume de tomar chimarrão, e ele não sabia o que era. Fui buscar fotos na internet de pessoas famosas que tomavam, mostrei alguns futebolistas."

O piquete reúne hoje não só brasileiros do Sul, mas também portugueses e imigrantes de outras nacionalidades curiosos pela cultura gaúcha, atraídos pelo churrasco, pelo chimarrão e pela música tradicionalista.