O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, vai se reunir com a presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, nesta terça-feira (22), em Nova York, à margem da Assembleia Geral da ONU. O encontro foi confirmado pelo embaixador americano na ONU, Mike Waltz, nesta sexta-feira (18).
Segundo o Poder360, seria o 1º encontro oficial entre chefes de Estado dos dois países em 27 anos. A última vez foi em 1999, entre Bill Clinton e Hugo Chávez.
Delcy Rodríguez assumiu a presidência venezuelana em janeiro, depois de Nicolás Maduro e a primeira-dama Cilia Flores serem capturados pelos Estados Unidos em uma operação militar em Caracas.
Ela era vice-presidente de Maduro desde 2018 e supervisionava boa parte da economia petroleira do país. O Tribunal Supremo de Justiça da Venezuela a empossou formalmente, tornando-a a primeira mulher a chefiar o país.
O encontro ocorre duas semanas depois de a Assembleia Nacional venezuelana aprovar um acordo de petróleo com os EUA que o governo Lula tentou evitar.
O acordo dá à empresa americana North American Blue Energy Partners direitos de exploração de 17 campos de petróleo por até 100 anos. As reservas somam 65 bilhões de barris, com investimento estimado acima de US$ 100 bilhões.
Trump chamou o acordo de "o maior acordo de petróleo da história do mundo" e disse que o processo de reabastecimento vai começar em breve.
Antes do acordo fechar com a empresa americana, o Brasil chegou a disputar espaço nos investimentos do setor petroleiro venezuelano, mas o contrato fechado ficou com a empresa americana.
O que o Brasil tem a ver com isso
O caso mexe com o Brasil em várias frentes. O Itamaraty chamou a captura de Maduro de "um sequestro", mas evitou parecer endosso ao regime venezuelano, avaliação compartilhada por integrantes do Planalto logo depois da operação americana.
Aliados do governo avaliam que a queda de Maduro deixou Lula em posição política mais confortável, já que Trump passou a tratar Delcy Rodríguez, e não a opositora María Corina Machado, como interlocutora principal.
Analistas também avaliam que a presença crescente dos Estados Unidos na região preocupa o entorno brasileiro. Um deles avalia que a movimentação militar americana deixa o Brasil cercado em sua fronteira norte.
O petróleo venezuelano tem pouco efeito imediato sobre o preço da gasolina no Brasil. A Venezuela responde por menos de 1% da produção mundial, e seu petróleo pesado exige mais investimento em refino antes de chegar ao mercado.
Especialistas apontam que o efeito do acordo sobre os preços, inclusive nos Estados Unidos, só deve aparecer daqui a alguns anos, quando a infraestrutura de extração e transporte estiver pronta.
O mesmo dia na ONU
O encontro com Trump acontece no mesmo dia em que o presidente Lula discursa na Assembleia Geral da ONU. Desde 1955, o Brasil abre o Debate Geral, sempre antes dos Estados Unidos, e Lula deve defender o multilateralismo e a reforma do Conselho de Segurança.
Na fronteira com Roraima, o fluxo de venezuelanos segue sob monitoramento desde a queda de Maduro. Cerca de 2 mil militares brasileiros permanecem no estado, reforço que veio depois da chegada recorde de 1,4 milhão de venezuelanos ao país.






























