Um levantamento da Data Privacy Brasil identificou 413 casos de conteúdo eleitoral com inteligência artificial no Brasil entre janeiro e agosto de 2026. Do total, 81% são deepfakes de políticos, e 63% não avisam que o conteúdo foi gerado por IA.
A OpenAI chama a eleição brasileira de "o grande teste" para o uso de IA em pleitos ao redor do mundo, segundo Bruno Lewicki, chefe de políticas públicas da empresa na América Latina.
Ele disse à Folha que a companhia espera um pleito sem sobressaltos de IA. Mas reconhece que muitas regras do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) são novas e ainda não se sabe como serão aplicadas.
"A norma do TSE não fala em geração de imagens ou conteúdo sintético. A norma veda a publicação, a republicação e o impulsionamento desses conteúdos", afirmou Lewicki.
Para o executivo, a fiscalização recai sobre as redes sociais, que hospedam e distribuem o conteúdo. A responsabilidade não seria das empresas de IA, como a OpenAI.
A companhia diz manter uma página pública em que qualquer pessoa confere se uma imagem ou um áudio foi gerado pelo ChatGPT, a partir de metadados e de marca d'água invisível. Esse recurso, segundo Lewicki, ainda não existe para texto.
Quem mais aparece nos deepfakes da campanha?
Lula é o alvo mais comum dos deepfakes da pré-campanha, com 112 casos mapeados pela Data Privacy Brasil, seguido por Flávio Bolsonaro (57) e Jair Bolsonaro (38). O Instagram concentra 208 das ocorrências, mais que TikTok (89) e X (68) somados.
O vídeo é o formato dominante, com 68% dos casos, contra 30% de imagem e cerca de 2% de áudio. Quase dois terços do material identificado circula sem qualquer aviso de que foi feito por IA.
Um levantamento à parte, da agência de checagem, Lupa identificou 37 publicações de candidatos com conteúdo de IA sem aviso ao eleitor.
O uso de IA na campanha também virou negócio, e perfis sintéticos de eleitor já custam R$ 65 mil no mercado eleitoral de 2026.
O caso mais visível de manipulação por IA foi um laudo falso atribuído à Polícia Federal, que citava o deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro. O TRE-MG determinou a preservação das publicações sobre o laudo falso enquanto apura o episódio.
Segundo Lewicki, uma jornalista de checagem usou a ferramenta pública da OpenAI para provar que o documento era sintético.
O que a regra do TSE proíbe?
A Resolução TSE 23.755/2026 proíbe divulgar conteúdo sintético sem aviso claro ao eleitor. A norma também veta republicação ou impulsionamento pago de material novo por IA nas 72 horas antes e 24 horas depois da votação.
O TSE definiu deepfake como o conteúdo que cria, reproduz ou altera imagem, voz ou manifestação de pessoa viva, morta ou fictícia com realismo que engane o eleitor.
A norma também proíbe que sistemas de IA recomendem candidaturas a quem pergunta, mesmo se solicitado pelo usuário, para impedir a interferência algorítmica no voto. Quem descumprir pode ter o conteúdo removido e sofrer outras sanções eleitorais.
O que acontece agora
O 1º turno das Eleições 2026 é em 4 de outubro, e a restrição a conteúdo sintético novo vale a partir da quinta-feira (1º). Um 2º turno, em 25 de outubro, repete a janela de 72 horas a partir do dia 22.





























