O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) afirmou, em publicação no X no domingo, 1º de novembro, que a TV Globo está "com medo" dele. Segundo ele, a emissora recuou de uma entrevista depois que exigiu exibição sem cortes, de acordo com o Poder360.

Ele também disse que a Globo não tem "a menor condição moral" de julgá-lo. Segundo o senador, foi procurado por veículos de imprensa ao longo da semana, entre eles a própria Globo, para dar entrevistas.

Ele exigiu que a conversa fosse exibida sem cortes ou restrições de assunto.

A emissora, segundo o relato do próprio senador, desistiu diante da condição.

"Se o maior grupo de comunicação do Brasil está com MEDO, não tem a menor condição moral de me julgar ou tentar destruir minha reputação", escreveu o senador.

Publicidade

Segundo ele, o Fantástico exibido na noite do mesmo domingo traria uma reportagem longa a seu respeito, sem lhe dar direito de resposta.

A declaração fez parte de uma "Nota ao Brasil" publicada por Flávio já dos Estados Unidos. Nela, o senador afirma que não deixou o país, mas saiu "pelo Brasil", e diz que as medidas cautelares impostas contra ele foram fundamentadas em mentiras.

"Isso não é democracia e está muito longe de ser um processo judicial justo e imparcial", afirmou. A defesa de Flávio já pediu que o ministro Alexandre de Moraes seja afastado do caso que tramita no Supremo Tribunal Federal.

Relembre o caso

Flávio chegou a Miami, nos Estados Unidos, na quarta-feira (28 de outubro), acompanhado da mulher e das duas filhas. A Direção Nacional de Migrações da Argentina informou que a família entrou em Puerto Iguazú, na fronteira, às 22h50 de 27 de outubro.

Dali, a família embarcou em um avião particular para Guayaquil, no Equador, onde fez uma escala, e seguiu para Miami. O paradeiro de Flávio só foi confirmado com as imagens do desembarque, depois de ele passar a terça-feira (27 de outubro) sem se manifestar.

O caso reacendeu a discussão sobre uma possível cassação do mandato no Senado. Aécio Neves chamou a decisão de incompreensível, e reportagens já mostravam que a proibição de deixar o país já estava prevista em lei.

A tensão entre a campanha de Flávio e entidades de imprensa não é nova. Em outubro, a Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji) repudiou um pedido da campanha ao TSE para retirar 241 publicações de veículos digitais, episódio distinto desta disputa com a Globo.

Desde que chegou aos Estados Unidos, Flávio descreve uma mudança na própria relação com a imprensa. Ele diz estar em um país onde pode "expressar livremente" suas opiniões e afirma que vai conceder entrevistas "sem cortes" a veículos brasileiros e estrangeiros.

Publicidade

Na prática, o senador passou de alvo de reportagens no Brasil a quem dita as condições para falar à distância.

"Quem quiser ouvir, ouvirá o que ninguém mais pode dizer estando no Brasil", concluiu Flávio, em outra publicação sobre os planos de dar entrevistas.

A permanência de Flávio nos Estados Unidos também virou tema em Washington. Um ministro do governo americano chegou a dizer que o senador se tornou um fardo político para Donald Trump.

O que fica em aberto

O episódio levanta uma pergunta sobre a cobertura eleitoral à distância. O que significa, para quem acompanha o processo, um candidato derrotado passar a negociar da Flórida as condições em que aceita ser entrevistado pela imprensa brasileira?