O Ibovespa caiu 13,88% e o dólar subiu 8,21% no primeiro pregão após a reeleição de Lula, em 26 de outubro. Foi a maior queda já registrada no pregão seguinte a uma eleição presidencial brasileira, com circuit breaker acionado por 30 minutos.

O mecanismo de segurança da B3 foi acionado às 9h57, depois de o índice recuar 10% em relação ao fechamento anterior, segundo o InfoMoney e o TimesBrasil.

Na mínima do pregão, a queda passou de 17%. O dólar bateu R$ 5,60 na máxima, antes de perder força e fechar a R$ 5,40. Câmbio nesse nível encarece de imediato remédios e produtos importados.

"Vai ser um dia difícil. O mercado vai reavaliar tudo. Todos foram pegos de surpresa", disse Bruno Funchal, CEO da Bradesco Asset Management.

Entre os dois turnos, a Bolsa subiu 6,9% e o dólar caiu 4,4%, no cenário então favorável a Flávio Bolsonaro.

Pesquisa do Citi com 73 investidores institucionais, divulgada em 23 de outubro, apontou que 79,5% previam queda superior a 5% no Ibovespa em caso de vitória de Lula, segundo o BPMoney.

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, chamou a reação de "uma correção de posições". Segundo ele, parte dos investidores apostara numa vitória de Flávio Bolsonaro e precisou reajustar as posições após o resultado da urna.

No dia seguinte, 27 de outubro, o Ibovespa fechou em queda de 0,51%, e o dólar recuou 0,97%, a R$ 5,35, devolvendo parte do salto anterior.

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A instabilidade seguiu nos dias seguintes. A Bolsa caiu pela terceira vez seguida em 29 de outubro, com fuga de capital, e o dólar chegou a R$ 5,36.

"O mercado financeiro brasileiro ainda tenta encontrar um novo nível de equilíbrio após a forte reação à reeleição de Lula", disse Felipe Corleta, da Brasil Wealth, que cobra agilidade do governo na escolha do novo ministro da Fazenda.

O que as eleições passadas sugerem sobre a duração do efeito

Levantamento do Neofeed sobre as seis últimas eleições presidenciais mostra que a reação de 2026 não tem precedente em magnitude. Na reeleição de Dilma Rousseff, em 2014, o Ibovespa caiu 2,77% no primeiro pregão, bem menos que os 13,88% de agora.

Uma semana após a reeleição de Dilma, o Ibovespa acumulava alta de 5,18%, e o dólar havia recuado 1,46%, segundo o Neofeed.

"O mercado está simplesmente reprecificando o fato de que não teremos uma guinada na política econômica", afirmou Roberto Motta, estrategista macro da Genial Investimentos.

No fechamento da semana, em 30 de outubro, o Ibovespa acumulava perda de 18,12%, como mostrou a TV Sim Brasil, a quinta maior queda semanal desde o Plano Real, segundo o Poder360.

A diferença para a debandada do início da pandemia, a maior da história recente, ficou abaixo de 1 ponto percentual. Para quem tem poupança ou previdência em fundos expostos à Bolsa, o tombo da semana apaga em dias ganhos acumulados ao longo de meses.

O que o mercado vai cobrar do novo mandato

A magnitude da reação sugere que parte do mercado apostava no resultado contrário até a véspera da votação. O teste real para a confiança dos investidores aparece agora na escolha do próximo ministro da Fazenda, ainda sem data certa.

O histórico de 2014 indica que esse tipo de ressaca tende a durar dias, não meses. A diferença de magnitude deste episódio, porém, é o que mantém a cautela nos primeiros pregões de novembro.