A relação entre Brasil e Argentina vive o pior momento da história, segundo o assessor especial da Presidência para assuntos internacionais, Celso Amorim. Ele atribuiu a crise ao presidente argentino, Javier Milei, e disse que as duas embaixadas seguem sem embaixador titular.

É o pior momento da relação Argentina-Brasil, mas não por nossa causa. Nós não fizemos nenhuma agressão à Argentina.

Amorim deu a declaração no domingo (1º de novembro).

Um dos pontos que, segundo Amorim, ilustra o distanciamento foi o fato de a Argentina ter sido o único país sul-americano a não cumprimentar oficialmente Lula pela reeleição.

As duas embaixadas mantêm apenas encarregados de negócios, o nível mais baixo da carreira diplomática, desde agosto. Naquele mês, o Itamaraty já havia reagido a ofensas de Milei contra o processo eleitoral brasileiro e chamou o embaixador brasileiro para consultas.

O que motivou o rompimento?

O rompimento começou em julho, quando Milei chamou Lula de "presidiário", "ladrão" e "lixo careca" em declarações públicas. Ele também criticou o ministro do STF Alexandre de Moraes e acusou o Brasil de financiar campanhas contra a Argentina.

Para Amorim, a conduta de Milei não tem precedente entre chefes de Estado: o Brasil só havia chamado um embaixador para consultas uma vez antes, num caso ligado a Israel.

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"Não é algo habitual. O Brasil não costuma fazer isso", disse Amorim sobre a medida.

Ele chamou a conduta do argentino de "lamentável" e afirmou que "os próprios argentinos estão envergonhados".

A crise ficou mais tensa nas últimas semanas. A Justiça argentina passou a investigar se o governo Milei ajudou na fuga do senador Flávio Bolsonaro para os Estados Unidos.

O chanceler argentino, Pablo Quirno, disse esperar que o embaixador brasileiro volte a Buenos Aires. Ele descartou romper relações com o Brasil.

Apesar do desgaste político, o governo brasileiro opta por manter o pragmatismo comercial com a Argentina, sócia no Mercosul.