As exportações do agronegócio brasileiro para a União Europeia cresceram 14,8% em valor nos cinco primeiros meses do acordo Mercosul-UE, que completa seis meses de aplicação provisória desde maio de 2026, somando US$ 12,21 bilhões, segundo o Metrópoles e a Tribuna do Sertão.
O resultado faz parte de um movimento mais amplo. Em outubro, a TV Sim Brasil mostrou que as vendas beneficiadas pelo acordo em toda a Europa subiram 21% entre maio e setembro, ante o mesmo período de 2025.
Os dados são do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), repassados pela Agência Brasil.
Dentro do agronegócio, o crescimento não foi uniforme. As exportações de produtos apícolas, principalmente mel, avançaram 367% em valor, de acordo com o Metrópoles.
As carnes subiram 103,5% em valor e 170% em volume, saltando de 101 mil para 272 mil toneladas. O café torrado cresceu 91,6% em valor e 116,5% em volume no período.
O complexo soja também puxou o resultado. O valor exportado passou de US$ 3,12 bilhões, entre maio e setembro de 2025, para US$ 4,19 bilhões no mesmo intervalo de 2026, alta de 34,2%.
A soja em grãos cresceu 49% em valor, e o farelo de soja avançou 22,5%. O superávit do agro com o bloco europeu também subiu: de US$ 9,01 bilhões para US$ 10,54 bilhões, alta de 17%.
Produtos antes marginais na pauta exportadora lideraram os saltos percentuais. Em outubro, a exportação de abacate à UE já havia disparado, puxada pelo mesmo conjunto de tarifas que agora beneficia o mel e o óleo de milho.
Publicidade
O que mudou nas tarifas
O acordo foi assinado em janeiro de 2026, após negociações iniciadas em 2000, segundo a Comissão Europeia.
De imediato, 2.932 produtos brasileiros passaram a ter tarifa zero na Europa, 93% deles bens industriais, segundo estimativa da CNI (Confederação Nacional da Indústria) divulgada pela Agência Brasil em abril.
A abertura não foi simétrica. Mais de 80% das exportações brasileiras à Europa já têm tarifa zero. A redução para produtos europeus no Brasil é gradual, em ciclo de até dez anos.
Isso explica por que o efeito já aparece nas vendas brasileiras, sem ainda pressionar a indústria nacional com a concorrência europeia.
O outro lado do acordo
A Comissão Europeia blindou setores sensíveis da própria agricultura antes de abrir o mercado ao Mercosul. Carne bovina ficou limitada a 1,5% da produção anual da UE, aves a 1,3%.
Uma rede de segurança de € 6,3 bilhões protege produtores europeus de disrupção de mercado, segundo o site oficial da Comissão sobre o acordo.
Mesmo com essas salvaguardas, produtores agrícolas europeus continuam resistindo. Preocupações do setor levaram o Parlamento Europeu a encaminhar o acordo ao Tribunal de Justiça da União Europeia para um parecer sobre sua legalidade, processo que pode durar até dois anos.
A resistência não é inédita. Em junho, a União Europeia vetou a carne brasileira por controle de antibióticos, sinal de que a abertura convive com barreiras sanitárias por produto.
O acordo soma mais de 25 anos de negociação e une um mercado de 700 milhões de pessoas, segundo a Comissão Europeia.
Passados seis meses de aplicação provisória, mel, carnes, café e soja puxam um superávit maior com o principal destino histórico das exportações brasileiras fora das Américas.































