O número de brasileiros com obesidade acompanhados pela rede básica do SUS saltou de 3,09 milhões em 2016 para 11,12 milhões em 2026, alta de 259% em dez anos. Os dados são do Sisvan, sistema de vigilância nutricional do Ministério da Saúde.

O Sisvan reúne informações do estado nutricional de quem é atendido na Atenção Primária à Saúde. Pessoas com obesidade já são 36% de todo o público adulto acompanhado pelo sistema.

No mesmo período, o sobrepeso saltou de cerca de 4,19 milhões para 10,76 milhões de pessoas, alta de 156,8%. Juntas, as duas condições somam 21,88 milhões de adultos, ou 71,5% do público assistido pelo Sisvan.

Em quais estados a obesidade é maior?

Em 24 dos 27 estados, a proporção de adultos com obesidade já supera a dos que têm peso adequado. O Rio Grande do Sul lidera a obesidade entre os acompanhados pelo Sisvan, com 42,6%, seguido por São Paulo (40,5%) e Rio de Janeiro (40,1%).

Em números absolutos, São Paulo soma 1,74 milhão de adultos com obesidade na atenção básica, à frente de Minas Gerais (1,16 milhão), Rio de Janeiro (759,2 mil) e Bahia (735,3 mil).

"Não há linhas de cuidado bem trabalhadas", afirma o endocrinologista Bruno Halpern, presidente da Federação Mundial da Obesidade e vice-presidente da Abeso. Para ele, os profissionais de saúde têm pouca educação sobre o tema.

Halpern diz que os gargalos vão da escassez de medicamentos à falta de capacitação profissional. A cirurgia bariátrica, indicada só para obesidade grave, tem acesso desigual e filas que variam por região; o suporte pós-operatório também é deficiente, sem fornecimento regular de suplementos.

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A obesidade está associada a mais de 240 doenças, entre elas diferentes tipos de câncer e problemas cardiológicos, o que reduz a expectativa de vida de quem convive com a condição.

O que o estudo MAPPS II revela sobre o apoio do governo

Uma pesquisa internacional chamada MAPPS II ouviu profissionais de saúde, gestores públicos e pessoas com obesidade no Brasil, país com o maior número de participantes do estudo entre as Américas.

O apoio do governo ao enfrentamento da obesidade recebeu nota entre 1 e 3, numa escala de 1 a 10. O levantamento aponta financiamento insuficiente, estrutura inadequada dos serviços, falta de nutricionistas e psicólogos, e estigma de peso entre os próprios profissionais de saúde.

Os resultados globais do MAPPS II saem em março de 2027. A condição já é cobrada precocemente: estudos também mostram riscos da obesidade infantil persistir na adolescência.

O que acontece agora

Uma discussão entre profissionais de saúde, gestores e sociedade civil ocorreu em junho com a Secretaria de Atenção Primária à Saúde do Ministério da Saúde para debater os desafios do país.

Não há, até o momento, anúncio de novo protocolo nacional de tratamento para obesidade no SUS.