O presidente Lula concentra a articulação com o MDB nas lideranças do Norte e do Nordeste que apoiaram sua candidatura no 2º turno. Os senadores eleitos Renan Filho, de Alagoas, e Helder Barbalho, do Pará, despontam como interlocutores do partido no novo mandato.

A aproximação é resposta ao racha do MDB na eleição. Dez diretórios estaduais apoiaram Lula no 2º turno, entre eles Alagoas, Bahia, Pará, Pernambuco e Maranhão, segundo o Brasil 247.

Outros 17 diretórios do partido fecharam apoio a Flávio Bolsonaro no 2º turno, incluindo o diretório paulista.

Renan Filho deixou o Ministério dos Transportes para concorrer e foi eleito senador por Alagoas. Helder Barbalho encerrou o mandato de governador do Pará e também garantiu uma cadeira no Senado, segundo o PE Notícias.

Os dois vêm da ala do MDB que ficou com Lula no 2º turno, oposta ao comando nacional do partido. O presidente do MDB, Baleia Rossi, e o prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes, apoiaram Flávio Bolsonaro.

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Nunes criticou a virada eleitoral de Lula. Chamou o resultado de "difícil de entender", segundo o Brasil 247 e o PE Notícias.

Ele também disse que uma decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal Cristiano Zanin durante a campanha "mudou a regra do jogo", na mesma declaração.

A crítica expôs a fratura interna do partido.

Segundo o Plantão Brasil, o governo sinaliza distanciamento de Nunes e Baleia Rossi, atribuído ao desgaste causado pelas críticas a Zanin durante a disputa eleitoral.

A aproximação com o MDB do Norte e do Nordeste acompanha um movimento mais amplo de Lula pelo apoio do Congresso.

O presidente se reuniu por quase duas horas com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, e o da Câmara, Hugo Motta, em 26 de outubro, de acordo com o Plantão Brasil.

No encontro, Lula defendeu a construção de uma frente ampla para isolar o que chamou de radicalismo político e avaliou que, no mandato anterior, houve falhas na coesão da base, segundo o mesmo veículo.

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A relação entre Lula e o MDB já rendeu três ministérios no mandato anterior. Renan Filho comandou os Transportes, Simone Tebet ficou com o Planejamento e Orçamento, e Jader Filho assumiu as Cidades, aliança costurada por Baleia Rossi em 2022.

No quarto mandato, porém, Lula não repete automaticamente o acordo com a cúpula nacional do MDB. Recorre direto aos nomes do Norte e do Nordeste que ficaram do seu lado na eleição.

A PEC da Segurança Pública é outra prioridade da articulação com o Congresso. O governo descreve a proposta como prioritária por permitir à União coordenar ações com estados e municípios, segundo o Plantão Brasil.

O que acontece agora

Lula toma posse para o quarto mandato em 1º de janeiro de 2027. Até lá, o Planalto negocia com MDB, PSD e União Brasil a distribuição de ministérios na nova base aliada.