O ministro das Relações Institucionais, José Guimarães (PT), afirmou no sábado (31 de outubro) que a família Bolsonaro virou um "fardo político" para o presidente Donald Trump. A fala veio após Marco Rubio negar que os EUA ajudaram Flávio Bolsonaro a fugir do Brasil.

Em publicação no X, Guimarães citou a fala do secretário de Estado americano e ligou o caso às eleições de meio de mandato nos Estados Unidos, marcadas para a terça-feira (3 de novembro). Ele usou as hashtags "DeportTheBolsonaros" e "DeportTheBolsonarosNOW".

"A pergunta que incomoda Trump vem do próprio eleitorado: por que o governo Trump alega não ter recursos suficientes para garantir saúde à população, mas utiliza sua estrutura para acolher uma família estrangeira cercada de denúncias graves?", disse o ministro.

Flávio Bolsonaro (PL-RJ) deixou o Brasil na terça-feira (27 de outubro), com a mulher, Fernanda Bolsonaro, e as duas filhas do casal. A saída ocorreu depois de o ministro Alexandre de Moraes, do STF, determinar a entrega do passaporte à Polícia Federal.

A Polícia Federal pediu a apreensão do documento 7 minutos depois de o TSE declarar Luiz Inácio Lula da Silva (PT) reeleito, às 21h09 de domingo (25 de outubro).

Segundo o TSE, Lula foi reeleito com 51,79% dos votos válidos contra 48,21% de Flávio, diferença de cerca de 4,4 milhões de votos.

O que dizem Rubio e Trump

Rubio nega que o governo americano tenha agido para tirar Flávio do Brasil. No mesmo sábado, Trump disse que o senador foi tratado "muito mal" e é bem-vindo em território americano, mas que não pretende se encontrar com ele.

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A permanência de Flávio em solo americano já havia sido autorizada por Trump e confirmada por Rubio dias antes da fala de Guimarães.

A fuga tornou-se pública na terça-feira (27 de outubro), quando o site argentino Infobae revelou que Flávio havia deixado o Brasil. A Argentina confirmou a entrada do senador e da família pela Ponte Internacional Tancredo Neves, em Misiones.

De lá, embarcaram num voo privado da empresa Baires Fly S.A. até Guayaquil, no Equador, e seguiram dali para os Estados Unidos.

O número que mede o desgaste de Trump

Uma pesquisa Reuters/Ipsos concluída em 26 de outubro mostra a aprovação de Trump em 32%, um ponto acima da mínima histórica da semana anterior.

Os eleitores registrados preferem o Partido Democrata ao Republicano para o Congresso por 47% a 36%, vantagem de 11 pontos às vésperas do pleito.

É nesse cenário interno fragilizado que a crítica de Guimarães ganha força: o desgaste doméstico de Trump é anterior ao episódio Bolsonaro, e o caso se soma a ele, não o cria.

A repercussão já havia motivado reação do Partido Democrata e cobranças da imprensa americana sobre o uso da estrutura do governo para abrigar um candidato derrotado e investigado no Brasil. No Brasil, estudantes fizeram atos contra Flávio Bolsonaro em nove estados depois da fuga.

O que acontece agora

Os eleitores americanos vão às urnas na terça-feira (3 de novembro) para renovar a Câmara dos Representantes e parte do Senado, pleito que deve servir de termômetro para a aprovação de Trump em meio ao episódio Bolsonaro.