Um bombardeio atribuído ao Exército venezuelano matou ao menos 19 pessoas num acampamento do Exército de Libertação Nacional (ELN), guerrilha colombiana, no estado de Apure, perto da fronteira com a Colômbia. O ataque ocorreu na sexta-feira (30 de outubro), segundo a ONG Fundaredes.
Segundo a organização de direitos humanos Fundaredes, drones teriam atingido aeronaves atribuídas à guerrilha, escondidas na vegetação de Buena Vista del Meta. Moradores relatam que havia ali um centro de armazenamento de drogas do ELN. O governo venezuelano não confirmou a operação.
O que isso tem a ver com o Brasil
O ELN não age só perto da fronteira colombo-venezuelana: o grupo também preocupa o Exército brasileiro na Amazônia.
Soldados da 2ª e da 16ª Brigadas "enfrentam ataques e trocas de tiros semanais" com dissidências armadas colombianas, segundo o general Francisco Humberto Montenegro Júnior, chefe do Estado-Maior do Exército.
Montenegro disse que tenentes e sargentos brasileiros estão "combatendo toda semana" e "trocando tiro" com esses grupos nas rotas fluviais da Amazônia. O confronto já custou mais de R$ 600 milhões ao crime organizado em 2025.
Em fevereiro daquele ano, uma apreensão de 1 tonelada de maconha avaliada em R$ 20 milhões ilustrou o tamanho do fluxo.
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A guerrilha também é apontada como exploradora de ouro ilegal no Arco Mineiro venezuelano, região a cerca de 250 km de Pacaraima (RR), cidade na fronteira com o Brasil.
O Brasil integra, desde agosto, uma força-tarefa militar dos EUA com 17 outros países do Hemisfério Ocidental, que também mira o crime organizado transnacional na região.
Um ponto que o Brasil e a Colômbia não concordam
Há divergência entre os dois países sobre se o ELN já cruzou para o lado brasileiro. O Ministério da Defesa brasileiro afirma que "não há registro de atuação do ELN em nosso território nacional".
Já autoridades colombianas relatam guerrilheiros entrando e saindo do Brasil pela fronteira amazônica.
O tipo de tráfego que preocupa quem vigia essa fronteira apareceu há poucos dias em Roraima: a FAB destruiu um helicóptero clandestino vindo da Venezuela, que depois se soube estar escondido na mata, avaliado em R$ 4 milhões.
Essa fronteira concentra a atenção militar brasileira desde que a tensão com a Venezuela sobre o Essequibo, em 2023, levou ao reforço de tropas em Roraima. Hoje a prioridade do Exército mudou dos vizinhos venezuelanos para o combate aos grupos armados colombianos nos rios amazônicos.
O ponto em aberto
O bombardeio em Apure ainda não teve confirmação oficial de Caracas. O Brasil mantém a posição de que o ELN não opera em solo brasileiro, mesmo com o relato colombiano em sentido contrário.
Enquanto as duas versões não se encontram, os combates semanais que o próprio Exército brasileiro descreve seguem sem data para arrefecer.































