O Brasil criou 121,3 mil empregos formais em setembro, segundo o Novo Caged divulgado pelo Ministério do Trabalho e Emprego na quarta-feira (4 de novembro). É o pior resultado do mês desde o início da série, em 2020, abaixo do esperado pelo mercado.
O saldo resultou de 2.214.437 admissões contra 2.093.132 desligamentos no mês, abaixo da mediana de 163,6 mil vagas prevista pelo mercado financeiro. Na comparação com setembro de 2025, quando o saldo tinha sido de 241.609 vagas, a geração de empregos formais caiu 43%.
Até no auge da pandemia, setembro rendeu mais vagas: 299,7 mil, em 2020.
O resultado reforça uma tendência que já durava meses. Abril, maio, junho, julho e agosto de 2026 também registraram os piores números para cada mês desde o início do Novo Caged.
De janeiro a setembro, o país gerou 1.248.914 vagas com carteira assinada, o menor acumulado para os nove primeiros meses do ano desde a pandemia.
Na comparação anual, a desaceleração é nítida. O acumulado de 2025 para o mesmo período, 1.731.398 vagas, foi 27,8% maior.
O salário médio real de admissão em setembro ficou em R$ 2.429,41, praticamente estável ante agosto. Na comparação com setembro de 2025, a alta foi de 1,88%.
Quais setores criaram mais vagas
Em setembro, quatro dos cinco grandes grupamentos de atividade econômica tiveram saldo positivo. O setor de serviços liderou, com 81.241 vagas, seguido por indústria, comércio e construção. A agropecuária foi o único a fechar postos, com perda de 4.381 vagas.
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Os números confirmam que o setor de serviços segue como o principal motor da contratação formal no país. Foi o único grupamento a superar os 80 mil postos no mês.
O desempenho também variou por estado. Entre os 27 estados, 26 tiveram saldo positivo em setembro. O Rio Grande do Sul foi o único com resultado negativo, de 2.937 vagas fechadas.
O que diz o mercado financeiro
Para analistas de mercado, o resultado mostra que o emprego formal começa a responder à desaceleração da economia e aos juros altos. A XP projeta queda no ritmo médio de criação de vagas em 2026.
Segundo o economista Leandro Padulla, da consultoria ASA, os dados de setembro reforçam a percepção de que o mercado formal vem respondendo, aos poucos, a esse ambiente de crescimento mais fraco.
O economista Rodolfo Margato, da XP, projeta que a média mensal de vagas criadas caia de cerca de 110 mil em 2025 para 75 mil em 2026.
Para ele, o mercado não mostra queda abrupta no terceiro trimestre, mas tende a desacelerar aos poucos até o fim do ano. Já era essa a leitura antes da divulgação dos dados de setembro.
A desaceleração na criação de vagas mesmo com desemprego baixo já vinha sendo discutida desde setembro, e os números de agora confirmam a tendência. O resultado de julho, divulgado em agosto, já tinha sido o pior para o mês desde 2020.
O que acontece agora
O resultado de setembro chega horas antes de o Comitê de Política Monetária (Copom) decidir, na quarta-feira (4 de novembro), se mantém a Selic em 13,75% ao ano. O comunicado sai no site do Banco Central depois das 18h30.
Antes da decisão, o mercado via 66,5% de chance de manutenção da taxa, que interromperia uma sequência de cinco cortes seguidos iniciada em março. A semana já era vista como decisiva para o rumo dos juros antes da divulgação do Caged.































