Hackers atacaram sistemas de refrigeração em pelo menos 9 países europeus desde outubro, e a onda chegou a câmaras frias de bancos de sangue na França. O Estabelecimento Francês de Sangue (EFS) disse que nenhum impacto sanitário foi identificado até a quarta-feira (4 de novembro).

O ataque às câmaras frias do EFS ocorreu na segunda-feira (2 de novembro) e afetou 3 unidades regionais. Segundo o semanário Le Canard Enchaîné, que revelou o caso, os equipamentos, programados para -30°C, chegaram a ser configurados para 110°C.

Os estoques incluíam bolsas de plasma destinadas a transfusões e à fabricação de medicamentos. O alvo foi a Coolworld, prestadora de serviços de refrigeração contratada pelo EFS.

A segurança dos estoques foi preservada graças aos sistemas de monitoramento e alarme das instalações, bem como às medidas de precaução adotadas imediatamente.

Informou o gabinete da ministra da Saúde da França, Stéphanie Rist.

Por que isso não é um caso isolado

O ataque ao banco de sangue veio dois dias depois de hackers atingirem sistemas de refrigeração em pelo menos 9 países europeus: Bélgica, Estônia, Finlândia, Irlanda, Itália, Luxemburgo, Países Baixos, Portugal e Suécia, todos na segunda-feira (2 de novembro).

Na Suécia, as temperaturas chegaram a 50°C; nos Países Baixos, pelo menos 17 estabelecimentos tiveram os parâmetros alterados. Já em outubro, outro ataque havia elevado a temperatura de geladeiras e provocado incêndios em supermercados na França.

Para o sueco John Billow, chefe do centro nacional de segurança cibernética do país, o padrão expõe uma fragilidade conhecida.

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"Há um número considerável de dispositivos expostos; é necessário atualizar ou aplicar patches", disse Billow, referindo-se aos sistemas de controle industrial usados nas redes de varejo.

Em um mês, a mesma falha em sistemas industriais de refrigeração passou de ameaça ao prato do consumidor europeu para ameaça direta ao estoque de sangue de um país inteiro.

A União Europeia classificou os ataques como tentativa de desestabilizar a cadeia de abastecimento, mas descartou risco imediato à segurança alimentar. Ninguém assumiu a autoria dos episódios, e não houve pedido de resgate em nenhum dos casos.

O setor de saúde também é alvo recorrente de ataques cibernéticos fora da Europa. No Brasil, o Hospital Einstein confirmou em outubro um ataque hacker a dados de pacientes.

Em julho, dados de 500 mil pacientes da rede pública de saúde vazaram após outro ataque cibernético no país.

Quem está por trás dos ataques

Nenhum grupo reivindicou os ataques à refrigeração na Europa, e as autoridades não disseram se os episódios em diferentes países têm o mesmo autor.

A sequência, dos supermercados aos bancos de sangue em menos de um mês, deixa em aberto até onde vai a cadeia de sistemas industriais de refrigeração ainda vulnerável no continente.

O que acontece agora

O EFS mantém a vigilância reforçada e transferiu os itens armazenados nas câmaras atingidas para outras unidades. As investigações técnicas seguem abertas para determinar quantos equipamentos foram afetados e quando os sistemas poderão ser restabelecidos com segurança.