Os Estados Unidos elegem, na terça-feira (3 de novembro), os 435 deputados da Câmara e 35 dos 100 senadores nas eleições de meio de mandato. Analistas brasileiros associam o resultado a mais pressão sobre o dólar e os juros no país.

Segundo Marcos Praça, da ZERO Markets Brasil, o resultado nas urnas americanas "tende a pressionar o dólar para cima frente ao real, elevar os juros futuros brasileiros".

A avaliação se soma a um momento já tenso para o câmbio. O real vem de uma semana de forte desvalorização após a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), no pior resultado semanal do Ibovespa desde a pandemia.

O que está em jogo nas midterms?

Está em jogo o controle do Congresso americano pelos dois últimos anos do mandato de Donald Trump. Projeções apontam 239 cadeiras democratas contra 196 republicanas na Câmara, com 96% de chance de maioria democrata.

No Senado, a disputa é mais apertada. Os democratas têm vantagem de 51 a 49, com probabilidade de controle entre 65% e 72%, segundo projeções citadas pela imprensa americana.

Uma pesquisa Reuters/Ipsos mostrou a aprovação de Trump em 32%, divulgada na segunda-feira (2 de novembro), perto da mínima histórica de 31% registrada duas semanas antes.

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Entre os eleitores independentes, metade disse ver o voto da terça como um voto contra o presidente, ante 13% que o veem como apoio a ele.

Andressa Durão, da gestora ASA, avalia que uma derrota republicana reduz a capacidade de Trump de aprovar novas medidas de estímulo fiscal ou mudanças tributárias nos EUA. Essas decisões, segundo analistas, também influenciam o fluxo de capital para mercados emergentes como o Brasil.

O economista Jorge Ferreira dos Santos Filho, da ESPM, avalia que o dólar deve seguir estruturalmente mais caro do que estava antes da eleição presidencial brasileira, operando acima dos R$ 5.

Luciano Sobral, economista-chefe da NEO Investimentos, projeta pressão vendedora sobre o real por "várias semanas", a depender de como investidores estrangeiros reagirem ao resultado das midterms e à política fiscal brasileira.

O que acontece agora

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central se reúne em 3 e 4 de novembro. A decisão sobre a Selic sai na quarta-feira (4 de novembro), após o fechamento do mercado, um dia depois das midterms.

A taxa está em 13,75% ao ano desde 17 de setembro. Santos Filho resume o dilema: "a Selic passa a depender de como o dólar vai se comportar, e isso vai depender da resposta fiscal do governo".

Antes da eleição brasileira, o mercado já esperava continuidade de cortes na Selic. A trajetória ficou mais incerta com a ausência de um nome definido para o Ministério da Fazenda no quarto mandato de Lula.

O Federal Reserve, banco central americano, mantém sua taxa entre 3,75% e 4% ao ano. Caso o resultado das midterms amplie a instabilidade política nos EUA, analistas apontam que o efeito tende a se somar à cautela já em curso no mercado brasileiro.