O primeiro-ministro da Espanha, Pedro Sánchez, associou na quarta-feira (4 de novembro) a vitória de Lula sobre Flávio Bolsonaro no Brasil à derrota de Trump nas midterms dos Estados Unidos. Sánchez busca reforçar sua reeleição na Espanha, marcada para 29 de novembro.
Aconteceu no Brasil. Acaba de ocorrer nos Estados Unidos. E ocorrerá em breve na Espanha.
A frase, publicada por Sánchez em rede social, citava Alberto Núñez Feijóo e Santiago Abascal, líderes do PP e do Vox, como representantes da onda de extrema direita que, segundo o premiê, está desmoronando.
Sánchez, do PSOE, enfrenta Feijóo nas urnas em menos de um mês.
Por que a Europa reagiu com cautela
A maioria dos líderes europeus tratou a derrota de Trump com reserva, porque ele segue no comando da política externa dos EUA pelos próximos dois anos. Segundo a Folha, o ministro francês Jean-Noël Barrot chamou o resultado de boa notícia para a democracia americana.
Na Alemanha, apenas o ministro da Defesa, Boris Pistorius, comentou o pleito, em tom observacional. Sánchez é a exceção. Ele é o líder europeu mais crítico às ofensivas de Trump nas áreas comercial, ambiental e migratória.
Sánchez também é quem mais precisa de um fato concreto para sustentar a narrativa de que o avanço conservador pode ser revertido. Trump chegou a ameaçar romper relações comerciais com a Espanha por desavenças com o premiê espanhol.
Como está a disputa na Espanha
Segundo a média de sondagens de 3 de novembro, o PP lidera a corrida para a eleição espanhola com 30,4% das intenções de voto, contra 27,4% do PSOE de Sánchez e 19,2% do Vox, a legenda de extrema direita.
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O premiê está atrás na corrida que o tiraria do poder após mais de oito anos, caso o resultado se confirme nas urnas.
Não é a primeira vez que Sánchez cita a vitória de Lula como referência. Em outubro, ele já havia manifestado apoio ao petista no 2º turno contra Flávio Bolsonaro, que Lula venceu com 51,79% dos votos.
O premiê espanhol também se inspira na estrutura de campanha montada pelo deputado federal André Janones (Rede-MG), que teria sido convidado para ajudar a campanha de Sánchez na Espanha, segundo uma coluna.
Os democratas conquistaram maioria na Câmara e no Senado dos Estados Unidos na eleição de terça-feira (3 de novembro), resultado que já eleva riscos e abre espaço de negociação para o Brasil com o governo Trump.
O que acontece agora
A Espanha vai às urnas no domingo (29 de novembro) para eleger o novo Parlamento. Se o resultado confirmar a liderança do PP nas pesquisas, Sánchez deixa o poder após mais de oito anos à frente do governo espanhol.
O PSOE tenta reverter o cenário nos 25 dias que faltam até a votação.































