A Binance, maior corretora de criptomoedas do mundo, registrou saída líquida de US$ 3,64 bilhões no domingo (1º de novembro), segundo a empresa, após retomar saques suspensos pelo roubo de US$ 6,3 bilhões. O valor equivale a 2,1% dos US$ 171 bilhões sob gestão.

A empresa afirmou, em publicação no X, que processou US$ 4,64 bilhões em saques e US$ 1,01 bilhão em depósitos no período. Os volumes de saque "diminuíram", segundo a Binance. Depósitos seguem "substanciais", disse a empresa.

A confiança de quem usa a corretora, não só o saldo em caixa, é o que está sendo testado nesta retomada de saques.

O episódio tem origem no ataque que tirou US$ 6,3 bi da corretora na quinta-feira (29 de outubro), quando hackers esvaziaram carteiras da Binance em 20 minutos, segundo a TRM Labs. O FBI atribuiu o roubo ao grupo TraderTraitor, ligado à Coreia do Norte.

Para cobrir o rombo, a Binance usou reservas e o fundo de seguro SAFU, recompondo 95% do valor roubado antes de liberar os saques. O CEO Richard Teng disse que a empresa vai "absorver o impacto financeiro dos fundos roubados, não os nossos usuários".

Especialistas em cibersegurança apontam que o episódio expõe o risco da custódia centralizada em grandes corretoras. Mateus Prestes, da Mirae Asset Brasil, disse à Finsiders Brasil que "qualquer comprometimento pode gerar prejuízos expressivos" a instituições e clientes.

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No Brasil, o episódio ocorre em meio a novas regras do Banco Central para corretoras de cripto. Quem não pediu autorização até sexta-feira (30 de outubro) tem até 29 de novembro para encerrar as atividades, segundo o Banco Central.

A partir de 6 de novembro, bancos poderão recusar movimentações em reais a corretoras sem aprovação final, já que uma resolução de outubro retirou essa proteção, segundo o assessor Mário Machado, da InvestSmart. Criptoativos não entram no Fundo Garantidor de Créditos.

A proteção depende da segregação patrimonial exigida pelo Banco Central.

Na sexta-feira (30 de outubro), a Binance Brasil disse que as contas de clientes não foram afetadas. A corretora afirmou manter os ativos em carteiras frias, "agregando uma camada adicional de segurança", conforme as regras de segregação do Banco Central.

O Brasil está entre os dez maiores mercados da Binance no mundo, segundo a Cointelegraph Brasil. O cartão da corretora no país teve alta de 53% de usuários entre outubro de 2025 e o segundo trimestre de 2026, segundo a SpaceMoney.

O roubo contra a Binance supera o recorde anterior do setor, o ataque de US$ 1,5 bilhão à corretora Bybit em fevereiro de 2025, também atribuído ao mesmo grupo ligado à Coreia do Norte, segundo a TRM Labs.

O que acontece agora

A Binance prometeu mostrar prova de reservas na segunda-feira (2 de novembro), para comprovar que os ativos de clientes seguem íntegros. Os 5% do roubo ainda não repostos, em ativos de menor liquidez, seguem sem prazo definido pela corretora.

Quem protege o dinheiro do investidor brasileiro?

Criptoativos não entram no Fundo Garantidor de Créditos; a proteção depende da segregação patrimonial que corretoras como a Binance dizem cumprir perante o Banco Central. Especialistas ouvidos pela Finsiders Brasil apontam que falha de custódia pode gerar prejuízo direto ao cliente, não só à empresa.