O Brasil criou 165,8 mil vagas de emprego com carteira assinada em agosto, segundo o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), divulgado nesta terça-feira (29) pelo Ministério do Trabalho. Mesmo assim, o acumulado do ano é o mais fraco desde 2020.

O saldo veio de 2.294.563 admissões e 2.128.736 desligamentos no mês. No acumulado de janeiro a agosto, foram 1.134.033 vagas, queda de 25,2% frente às 1,516 milhão abertas no mesmo período de 2025.

O resultado de agosto contrasta com o mês anterior, quando a criação de vagas quase travou. Como já mostramos, aquele foi o pior julho para a criação de empregos desde 2020.

A gente ainda gera emprego, ainda estamos criando postos de trabalho, mas num ritmo bem mais lento.

A avaliação é da analista de economia Lucinda Pinto, da CNN, feita após a divulgação dos dados fracos de julho.

Economistas apontam a taxa de juros elevada como principal freio à criação de vagas, com peso maior sobre o varejo. O crescimento do comércio eletrônico e das apostas on-line também reduz a demanda por mão de obra em lojas físicas, segundo analistas.

Ao mesmo tempo, a taxa de desemprego do país caiu a 5,3% no trimestre encerrado em agosto, segundo o IBGE. Como a TV Sim Brasil mostrou, o índice caiu mesmo com os juros altos, muito por causa da informalidade.

O Caged só mede empregos formais, com carteira assinada, e não é comparável à pesquisa do IBGE, que inclui informais. Em agosto do ano passado, o Brasil bateu recorde de emprego formal, mas a informalidade também cresceu no mesmo período.

O saldo de agosto foi mais favorável às mulheres, com 83 mil vagas, do que aos homens, com 81 mil.

Entre os estados, Paraíba, Amapá e Rio Grande do Norte tiveram os maiores crescimentos proporcionais. Rondônia, Rio Grande do Sul e Espírito Santo foram os únicos com saldo negativo no mês.

O salário médio de admissão ficou em R$ 2.410,74 em agosto, R$ 0,74 abaixo de julho, mas R$ 24,31 acima do valor de agosto de 2025.

O que acontece agora

Seguindo o padrão dos meses anteriores, o Caged de setembro deve ser divulgado no fim de outubro. O Comitê de Política Monetária (Copom) também se reúne naquele mês, com parte do mercado já projetando Selic mais baixa diante da desaceleração da economia.

O ponto em aberto

O ritmo mais lento de abertura de vagas aparece ao lado de uma taxa de desemprego na mínima da série recente, sustentada em parte pela informalidade.

A pergunta que fica é o que acontece quando a Selic cair. O mercado formal pode voltar a acelerar, ou o crescimento do comércio eletrônico e do trabalho por aplicativo pode já ter mudado quanto emprego com carteira assinada a economia consegue gerar.