A vitória democrata nas eleições de meio de mandato dos Estados Unidos, na terça-feira (3 de novembro), deve pressionar a bolsa brasileira e valorizar o dólar no curto prazo, mas pode conter a política tarifária do presidente Donald Trump contra o Brasil, segundo economistas.

Para o Brasil, o resultado tem dois efeitos opostos: mais aversão ao risco nos mercados emergentes, e menos espaço para atos hostis do governo Trump.

O que pesa contra o Brasil no curto prazo

Segundo o economista-chefe da Quantitas, Ivo Chermont, a vitória democrata tende a elevar a aversão ao risco e retirar investimentos de países emergentes como o Brasil. A bolsa brasileira deve perder valor, e os juros tendem a subir no longo prazo.

O dólar tende a se valorizar frente ao real, justamente no momento em que o Brasil aguarda a resposta americana sobre o tarifaço. As conversas estão travadas desde setembro, e o Brasil deve receber uma proposta formal dos Estados Unidos até a próxima semana.

Por que a vitória democrata pode conter Trump

"Os democratas têm maior ímpeto para regulações, então pode ter algum aumento de pressão sobre as big techs", diz Chermont. Para ele, o resultado cria um contraponto dentro dos Estados Unidos à política externa de Trump.

Todos esses países estão aguardando para ver qual vai ser o resultado, para saber qual é o grau de poder que o Trump ainda vai manter para adotar medidas unilaterais.

A frase é do ex-secretário de Comércio Exterior do Brasil Welber Barral. Para ele, as eleições não resolvem os temas pendentes entre os dois países. "São temas que seguramente não vão facilitar as negociações", afirma.

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A disputa já havia mudado o equilíbrio em Washington. Os democratas retomaram o controle da Câmara dos Representantes e prometem fiscalizar o governo Trump de perto.

Nem toda vitória, porém, muda o jogo por completo. A vitória de Cooper no Senado americano, por exemplo, não muda tudo no equilíbrio de forças em Washington.

O que acontece agora

O Brasil aguarda a proposta formal dos Estados Unidos sobre o tarifaço, prevista para a semana que começa em 9 de novembro. Até lá, o mercado brasileiro deve seguir reagindo aos desdobramentos das eleições americanas.