O juiz federal Guilherme Roman Borges, da 13ª Vara Federal de Curitiba, suspendeu na terça-feira (3 de novembro) as audiências da Operação Mafiusi, que apura o envio de seis toneladas de cocaína do PCC à Europa com a máfia italiana 'Ndrangheta.

A decisão também abre caminho para a revisão das prisões dos alvos.

A suspensão atende a um pedido da defesa, que questionou a cadeia de custódia das provas extraídas do aplicativo criptografado Sky ECC. Os dados brutos enviados pelas autoridades francesas nunca foram apresentados, segundo os advogados.

No despacho, o juiz escreveu que "a alteração na sequência da colheita probatória traz o risco de suscitar discussões sobre a inversão da ordem legal de instrução (art. 400 do Código de Processo Penal), gerando arguições de nulidade absoluta e insegurança jurídica ao processo".

Segundo a Polícia Federal, a organização enviou seis toneladas de cocaína à Europa em 20 carregamentos e movimentou R$ 4,8 bilhões. A investigação soma 11 investigados no Brasil e nove na Itália, com apoio da Europol e da Direção Nacional Antimáfia italiana.

Quem é o "Concierge do PCC"?

O "Concierge do PCC" é o empresário Willian Barile Agati, apontado pela Polícia Federal como intermediário entre líderes da facção, compradores no exterior e a 'Ndrangheta na venda de cocaína para a Europa. Ele ainda não foi condenado.

Em outubro, a Justiça já havia suspendido o leilão de um apartamento apreendido de Agati, avaliado entre R$ 3 milhões e R$ 6 milhões. Os negócios do esquema teriam movimentado mais de R$ 2 bilhões, segundo reportagem do Metrópoles sobre o caso.

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A Operação Mafiusi foi deflagrada pela Polícia Federal em dezembro de 2024. O processo tramita na mesma vara de Curitiba que concentrou os processos da Lava Jato e avançou com delações premiadas, a principal delas do colaborador Marco José de Oliveira.

O avanço do PCC para fora do Brasil já havia sido mapeado em reportagem sobre o uso do sistema financeiro internacional pela facção.

Outro delator citado no processo, Antônio Vinícius Gritzbach, foi assassinado a tiros em novembro de 2024. O crime aconteceu no Aeroporto de Guarulhos. A investigação sobre sua morte revelou uma relação entre policiais civis e militares de São Paulo e integrantes do PCC.

A suspensão não encerra o caso, mas pode soltar réus presos preventivamente enquanto a Justiça reavalia prova por prova. O juiz determinou que a situação de cada acusado seja analisada individualmente.

O que acontece agora

O processo aguarda os dados brutos das autoridades francesas, que vão subsidiar a análise de cada prova extraída do Sky ECC. Só depois o juiz decide, caso a caso, quem segue preso e remarca as audiências canceladas em novembro.