O presidente Lula disse, em entrevista à Record exibida neste domingo (23), que o filho Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, terá de provar sua inocência nas investigações que o atingem. Ele defendeu a continuidade das apurações e afirmou que ninguém deve ficar impune caso tenha cometido irregularidade.

Todos nós somos obrigados a agirmos corretamente. Se alguém está agindo de forma equivocada, de forma errada, esse alguém tem que ser investigado. Não sou um presidente que tenta proibir investigação. Eu não ameaço mandar ministro embora. Investigue-se.

"Isso vale para o meu filho, vale para qualquer pessoa. Ninguém está impune se cometeu erro. Meu filho sabe que se ele cometeu erro, ele vai ser julgado, vai ser punido ou inocentado. Ele tem que provar a inocência dele", disse Lula.

A entrevista foi concedida no Palácio da Alvorada, à jornalista Mariana Godoy. Fábio Luís é alvo de três inquéritos abertos pela Polícia Federal, nenhum deles com decisão final.

O primeiro, autorizado em 30 de julho pelo ministro André Mendonça, do STF, apura suspeita de tráfico de influência envolvendo o Ministério da Saúde e a comercialização de cannabis medicinal.

Segundo a apuração da PF, um ex-funcionário relatou o pagamento de uma mesada de R$ 300 mil mensais a Lulinha, e uma viagem a Portugal custeada por um empresário do setor é um dos pontos centrais investigados.

O segundo inquérito, autorizado em 31 de julho pelo mesmo ministro, apura se Lulinha intermediou contratos de uma empresa de tecnologia com a Dataprev, estatal de tecnologia ligada ao INSS. A empresa soma cerca de R$ 55,7 milhões em contratos com o governo federal e nega irregularidade.

O terceiro inquérito, sob sigilo e relatado pelo ministro Flávio Dino, investiga um grupo suspeito de atuar em favor de empresas junto ao governo. Ele também cita o ex-chefe de gabinete de Lula, apontado pela PF como destinatário de pagamentos de uma lobista.

A Polícia Federal estima concluir esse terceiro inquérito só no fim de 2026.

Enquanto o presidente defende as investigações, a oposição pressiona por um rito mais duro no Congresso. No sábado (22), o senador Carlos Viana (PSD-MG) cobrou a abertura de uma CPMI para apurar o caso, em ato de campanha em Belo Horizonte.

O que acontece agora

A Procuradoria-Geral da República já pediu que a investigação saia do STF e vá para a primeira instância, por Lulinha não ter foro privilegiado. Os ministros do STF ainda não decidiram o pedido. Até lá, os três inquéritos seguem sob relatoria de Mendonça e Dino.