Os Estados Unidos começaram a aplicar, neste sábado (22), uma tarifa de 50% sobre US$ 20 bilhões em produtos canadenses, depois do fracasso das negociações comerciais entre os dois países. A taxa é a mesma que os EUA já cobram sobre parte das exportações brasileiras desde 2025.

O representante comercial dos EUA, Jamieson Greer, justificou a medida dizendo que o Canadá não cumpriu os termos de um acordo previamente negociado. As duas economias movimentaram US$ 880 bilhões em bens e serviços no último ano.

Como o Canadá reagiu à tarifa

"Eles pediram demais e ofereceram pouco", disse o premiê canadense Mark Carney sobre o fracasso das negociações. Ele classificou a tarifa como "injusta" e "antieconômica".

"Eles estão tentando nos quebrar, para que possam nos possuir", afirmou Carney, ao anunciar que o Canadá vai retaliar "dólar por dólar" e suspendeu as tratativas com Washington.

A tarifa afeta cerca de 5% das exportações anuais do Canadá aos Estados Unidos. A indústria automotiva canadense é a mais exposta, já que quase 75% do que produz vai para o mercado americano.

O que isso tem a ver com o Brasil?

O Brasil enfrenta uma tarifa parecida desde 2025, quando os EUA passaram a cobrar até 50% sobre parte das exportações brasileiras. O resultado já aparece nos números do comércio bilateral.

As exportações do Brasil para os Estados Unidos caíram 16% entre janeiro e maio de 2026, para US$ 14 bilhões, na comparação com o mesmo período do ano passado. O comércio bilateral total recuou 14,3%, para US$ 29,5 bilhões.

A fatia dos Estados Unidos nas exportações brasileiras encolheu de 12,4% para 9,3% no mesmo comparativo. É bem abaixo do pico histórico, de 26%, registrado em 2002.

O que o caso canadense sinaliza para o Brasil

O Canadá escolheu bater de frente. Suspendeu as negociações e prometeu retaliar dólar por dólar. O Brasil enfrenta a mesma tarifa de 50% e ainda não fechou esse capítulo com Washington. A diferença entre as duas respostas é o que vale acompanhar daqui em diante.