O presidente Lula recebeu nesta quarta-feira (19) o advogado Marco Aurélio de Carvalho, que representa o filho Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, alvo de três inquéritos da Polícia Federal por suposto tráfico de influência. O encontro, não previsto na agenda oficial, ocorreu no Palácio da Alvorada entre as 19h15 e as 22h37.
O motivo da conversa, que durou mais de três horas, não foi divulgado. O Planalto não confirmou a pauta, e nem o advogado nem Lulinha se manifestaram publicamente sobre o encontro.
O vice-presidente Geraldo Alckmin substituiu Lula numa cerimônia do STJ na mesma noite.
Marco Aurélio de Carvalho é um dos fundadores do grupo Prerrogativas e também coordena a campanha de reeleição de Lula em São Paulo.
Em 3 de agosto, ele já havia se reunido com o ministro da Justiça, Wellington César Lima, para pedir medidas contra supostos vazamentos de dados sigilosos do inquérito que investiga seu cliente.
O que apuram os inquéritos contra Lulinha
Lulinha responde a três inquéritos abertos pela Polícia Federal com autorização do STF. Um deles apura suposto tráfico de influência e corrupção envolvendo o Ministério da Saúde, na área de cannabis medicinal.
Os outros dois investigam contratos suspeitos com a Dataprev e um caso de favorecimento a empresas por meio de influência presidencial, batizado 3Structure IT.
É o mesmo inquérito que levou a PF a revelar, nesta semana, uma minuta de contrato enviada por uma amiga de Lulinha a um ex-chefe de gabinete de Lula.
Segundo mensagens interceptadas pela investigação, Lulinha teve 18 entradas registradas no Palácio do Planalto entre junho de 2023 e janeiro de 2025. As trocas mostram conversas dele com a lobista Roberta Luchsinger sobre negócios de "nível diferenciado" e oportunidades na Suíça.
A apuração também identificou a transferência de R$ 1,5 milhão de um empresário a Luchsinger, com referências que a investigação associa a "o filho do chefe". Não há confirmação sobre o destino final dos recursos, e Lulinha não foi condenado em nenhum dos três inquéritos.
As mensagens motivaram críticas da oposição. Em rede social, o senador Flávio Bolsonaro escreveu que "a casa caiu para a família Lula" e disse que Lulinha discutia um "futuro na Suíça" enquanto aposentados tentavam recuperar valores do esquema de descontos do INSS.
O deputado Eduardo Bolsonaro repetiu a fala do irmão: "Os filhos de Bolsonaro se expõem mesmo perseguidos. Todos sabem onde estamos. Já os filhos de Lula…"
A defesa de Lulinha nega irregularidade e atribui o vazamento das mensagens a um setor da Polícia Federal que associa à campanha de Flávio Bolsonaro.
O que ainda falta explicar
O Planalto não informou o motivo do encontro, e a duração de mais de três horas contrasta com o silêncio oficial.
Falta saber se a conversa tratou da defesa nos inquéritos ou da campanha eleitoral que o próprio advogado coordena, já que ele acumula os dois papéis.


























