O Brasil tem 158,7 milhões de eleitores aptos a votar nas eleições de 2026, alta de 1,46% sobre 2022, segundo o TSE. Pela primeira vez em uma eleição geral, o Sudeste perdeu eleitores em números absolutos, enquanto o eleitorado com 60 anos ou mais chegou a quase um quarto do total.
O Sudeste caiu de 66.707.465 para 66.329.375 eleitores, queda de 378 mil pessoas (-0,56%). A região segue concentrando o maior bloco de votos do país, 41,78% do eleitorado nacional, mas responde por cerca de 52% do PIB brasileiro segundo o IBGE. É esse descompasso entre peso econômico e peso eleitoral que a movimentação de 2026 escancara.
Do outro lado, Norte e Centro-Oeste cresceram acima da média nacional. O Norte ganhou cerca de 549 mil eleitores (alta de 4,37%) e chegou a 13,1 milhões. O Centro-Oeste somou mais 457 mil (alta de 3,97%). Os estados com maior avanço proporcional foram Roraima (+9,63%), Tocantins (+8,07%) e Mato Grosso (+6,84%).
Por que o eleitor brasileiro está mais velho
Eleitores com 60 anos ou mais somam 37,5 milhões, o equivalente a 23,60% do total, alta de cerca de 4,5 milhões de pessoas frente a 2022. Foram 4,6 pontos percentuais de avanço em quatro anos. No sentido oposto, a faixa de 21 a 34 anos caiu de 28,01% para 25,85% do eleitorado no mesmo período.
O redesenho geográfico também mexe no bolso da campanha. O Fundo Eleitoral de R$ 4,9 bilhões dividido pelos 158,7 milhões de eleitores equivale a cerca de R$ 31 por eleitor. Com mais eleitores no interior, cresce também a fatia de recursos e atenção que os partidos direcionam para fora dos grandes centros.
Há ainda dois recortes que compõem o novo mapa do eleitorado. As mulheres são 83,9 milhões de eleitoras, 52,8% do total.
O voto no exterior somou 918.876 pessoas, alta de 31,82% desde 2022.
Esse redesenho do eleitorado é diferente do que já mostramos sobre o perfil de quem se candidata. Um levantamento recente apontou que 786 candidatos mudaram a própria declaração de raça entre 2022 e 2026. Ali o retrato é de quem disputa a eleição. Aqui, o retrato é de quem vai às urnas escolher.
O que isso muda para a próxima disputa
O eleitorado mais velho e mais espalhado pelo interior é um dado novo para qualquer campanha calcular. Fica em aberto se os partidos vão de fato redirecionar propostas e recursos para essa nova geografia do voto, ou se a disputa de 2026 vai continuar sendo pensada, na prática, a partir do mesmo eixo Sudeste que já concentra a maior parte do PIB do país.


























