A Polícia Federal apura se a lobista Roberta Luchsinger usou a proximidade com Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente Lula, para facilitar o acesso de empresários ao governo federal. Mensagens do celular de Roberta, apreendido pela corporação, mostram Lulinha frequentando uma mansão no Lago Sul, em Brasília, alugada por ela.
A investigação por suposto tráfico de influência tramita sob relatoria do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF). Segundo a Polícia Federal, os investigadores checam se Roberta e Lulinha atuavam em conjunto para intermediar o acesso de empresários à administração pública.
Entre as mensagens recuperadas no celular de Roberta estão conversas sobre reuniões de negócios que citam Marco Aurélio Santana, o Marcola, ex-chefe de gabinete do presidente Lula.
A Polícia Federal também identificou um elo entre a lobista e Antonio Carlos Camilo Antunes, o Careca do INSS, apontado como operador de desvios de recursos de aposentados no escândalo investigado desde 2025.
As mensagens mostram que Roberta comprou R$ 9,2 mil em joias para Marcola, um colar e um par de brincos com diamantes. A defesa do ex-chefe de gabinete afirma que se tratou de um empréstimo já quitado, não de um presente.
"As eventuais visitas ocorreram por conta de uma relação de amizade entre a família de Lulinha e Roberta", disse o advogado Marco Aurélio Carvalho, que nega qualquer autorização para que ela agisse em nome do empresário junto ao governo federal.
Segundo o advogado, Roberta é uma das amigas mais próximas de Renata de Abreu Moreira, esposa de Lulinha. O casal é casado há anos.
A casa na QI 26 do Lago Sul aparece também em um processo trabalhista movido por uma ex-empregada doméstica de Roberta. Zildeni Gomes de Souza aciona a Justiça do Trabalho de Brasília desde 30 de março, cobrando indenização por uma negociação frustrada com a lobista.
A ex-empregada cobra R$ 290 mil pelo valor de um imóvel no Itapoã que não foi entregue, além de R$ 15 mil por danos materiais e R$ 40 mil por danos morais.
Áudios anexados ao processo por sua advogada mostram Luchsinger comentando a presença de Lulinha na rotina da casa.
O processo revela um detalhe curioso: a petição chega a citar Lulinha ora como "marido", ora como "amigo" de Roberta. Ele nunca foi casado com ela.
O caso é o mais recente capítulo de uma série de apurações sobre a relação entre Lulinha e Roberta. Documentos da PF já haviam revelado uma minuta de contrato enviada pela lobista a Marcola.
O presidente Lula chegou a receber o advogado do filho no Palácio da Alvorada em meio às investigações.
Nenhum dos citados nas mensagens foi indiciado até o momento.


























