A safra de café da Colômbia perde força em 2026, com queda real de cerca de 35% no valor da produção. No mesmo período, o Brasil caminha para uma colheita recorde. A Conab projeta 66,2 milhões de sacas de 60 kg, alta de 17,1% sobre 2025, e o contraste redesenha o equilíbrio do mercado internacional do grão.

Segundo a Bloomberg Línea, a produção colombiana caiu 12,5% no acumulado até julho, com projeção de 12,5 milhões de sacas para o ano, queda de cerca de 9% sobre 2025. Chuvas intensas no primeiro trimestre prejudicaram a floração e o desenvolvimento dos grãos, e um terremoto recente danificou lavouras em Antioquia, Cauca, Caldas, Valle del Cauca e Quindío, departamentos que concentram 44% da área cafeeira do país.

A valorização de 16,5% do peso colombiano no ano reduziu a receita dos produtores convertida para a moeda local, e o preço internacional do café caiu 13% até julho, de 363,2 para 317,2 centavos de dólar por libra-peso.

Cerca de 550 mil famílias colombianas dependem diretamente da cafeicultura.

O que muda para o produtor e o consumidor brasileiros

A Conab atribui o salto na colheita brasileira à recuperação do arábica, que deve somar 44,09 milhões de sacas (alta de 23,3%), e à robusta, com 22,09 milhões de sacas (alta de 6,4%). É essa combinação que sustenta a estimativa de crescimento de quase um quinto na produção nacional em relação ao ano anterior.

Com a Colômbia produzindo menos e o Brasil produzindo mais, a pressão sobre o preço internacional tende a favorecer quem compra o grão pronto (inclusive o consumidor brasileiro no supermercado) e a apertar a margem de quem depende da receita de exportação. É o cenário inverso do que ocorreu em 2025, quando a escassez global segurava os preços em alta.

O tema já apareceu aqui sob outros ângulos. Em agosto, a exportação de café brasileiro disparou 48,5%, puxada pela demanda externa. O caso de agora segue a mesma lógica, mas com um concorrente direto perdendo força.

O movimento não é exclusivo do café. A safra geral de grãos também bateu recorde neste ano e faturou R$ 66 bilhões a menos, por causa da queda generalizada de preços agrícolas.

A soja segue na direção oposta. Puxada por fatores próprios de oferta e demanda internacional, a commodity está no maior patamar desde 2023.

O que acontece agora

A colheita brasileira segue até o fim do ano, com Conab e consultorias privadas atualizando as estimativas a cada boletim mensal. Na Colômbia, a Federação Nacional de Cafeteros acompanha a recuperação das áreas atingidas pelo terremoto, sem prazo definido para normalização da produção nas regiões mais afetadas.