O Brasil já registrou 29.618 focos de incêndio em 2026 até 12 de agosto, segundo o Inpe. O número é maior do que os 18.451 focos de todo o mês de agosto de 2025, o melhor resultado da série histórica.
E agosto ainda não fechou. A temporada mais crítica de queimadas no Brasil vai até outubro, segundo o Ministério do Meio Ambiente (MMA), que aponta maior risco em Amazonas, Pará, Tocantins, Maranhão e Mato Grosso.
Por que o recorde de baixa foi revertido tão rápido?
Em março, o governo apresentou o resultado de 2025. A área queimada no país caiu 39% em relação à média dos oito anos anteriores.
A ministra Marina Silva atribuiu a queda a um reforço no combate, com 246 brigadas florestais federais. O orçamento do Ibama e do ICMBio para 2026 chegou a R$ 1 bilhão, recorde da série.
O próprio governo já alertava, em março, para um segundo semestre mais seco. A chegada do El Niño reduz as chuvas e intensifica a estiagem, principalmente no Norte e no Nordeste, segundo o presidente do Ibama.
"Para o Brasil, isso tende a aumentar a probabilidade de temperaturas acima da média em grande parte do território", afirma a meteorologista Andrea Ramos. A Noaa, agência climática dos Estados Unidos, estima 90% de chance de um El Niño forte nos próximos meses.
Onde o fogo mais avança
Cinco estados respondem por 62% dos focos registrados neste ano. Mato Grosso, Tocantins, Bahia, Maranhão e Pará lideram a lista. Na Amazônia, os focos entre janeiro e 13 de maio foram 51% maiores do que no mesmo período de 2025.
"Condições de queimadas podem ocorrer tanto no centro do Brasil como também em parte da Região Norte, no interior do Nordeste, na Bahia", diz o consultor climático Francisco de Assis.
Em 2025, o Cerrado concentrou quase metade dos focos do país, com 47,9%. A Amazônia respondeu por 28,3% no mesmo período, segundo os dados oficiais do ano passado.
O que vai decidir se agosto a outubro repete 2025 ou não
O Brasil chega à fase mais crítica da temporada com a maior estrutura de combate a incêndios da história, montada antes do quadro atual do El Niño. O teste real dessa política acontece agora, nos três meses que faltam até outubro.


























