Um relatório da Polícia Federal, divulgado nesta sexta-feira (21), aponta que a lobista Roberta Luchsinger pagou R$ 217 mil em despesas pessoais do ex-chefe de gabinete pessoal do presidente Lula, Marco Aurélio Santana Ribeiro, entre fevereiro e novembro de 2024. A defesa de Ribeiro nega irregularidade.

Os valores apontados pela PF

Segundo o relatório, os pagamentos somam R$ 95 mil em fatura de cartão de crédito do Banco do Brasil, R$ 48 mil em boleto de consórcio, R$ 26 mil em financiamento de um veículo pelo Santander e R$ 27,5 mil em boletos e Pix.

Também constam R$ 9,2 mil em joias, um colar e um par de brincos de diamante, entre outros itens que compõem o total de R$ 217 mil apurado pela corporação.

A defesa de Ribeiro confirma a compra das joias, mas contesta a caracterização dos demais valores como pagamento. Segundo os advogados, trata-se de um empréstimo pessoal de R$ 249 mil, já devolvido com juros.

Em nota, os advogados afirmam que Ribeiro "quitou dívidas pessoais, rechaçando qualquer crime".

O caso é apurado em três inquéritos autorizados pelo Supremo Tribunal Federal, que investigam possível tráfico de influência no governo federal. Dois têm o ministro André Mendonça como relator; o terceiro é relatado por Flávio Dino.

Parte da apuração mira negociações de Roberta Luchsinger junto ao Ministério da Saúde para a liberação de produtos à base de cannabis medicinal, no mesmo período em que ela fazia os pagamentos a Ribeiro.

Roberta é amiga pessoal de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente. A Polícia Federal encontrou, no celular dela, mensagens que indicariam sua intermediação na compra das joias.

O advogado de Lulinha contesta a autenticidade do material, classificando-o como "vazamento criminoso e fora de contexto". A defesa de Roberta Luchsinger informou que o processo corre em sigilo e que vai respeitar essa condição, sem comentar o mérito das acusações.

Luchsinger fez ao menos 42 visitas a órgãos do governo federal entre janeiro de 2023 e abril de 2024. Em 41 delas, não há registro nas agendas oficiais dos servidores visitados, embora a legislação exija a publicidade desses encontros.

Formada em Direito, mas sem nunca ter exercido a profissão, Luchsinger já foi filiada a PCdoB, PT e PSB antes de passar a atuar como lobista.