O Mercado da Boca, complexo gastronômico que ajudou a popularizar o formato food hall em Belo Horizonte, opera hoje quatro endereços na capital, segundo o guia oficial da Belotur e o site do Pátio Savassi. As duas primeiras casas da rede, em Nova Lima e no Santa Tereza, fecharam.
A rede nasceu em maio de 2018 no Jardim Canadá, em Nova Lima, com R$ 8 milhões, segundo o Hoje em Dia. Em novembro de 2019, o sócio Lucas Vereza anunciou ao Estado de Minas que a marca chegaria a São Paulo em 2021.
O Da Boca sempre teve como objetivo principal difundir a gastronomia de qualidade. Para isso, é essencial crescer e multiplicar
O plano se cumpriu pela metade.
A rede chegou aos quatro endereços em BH, mas não há registro de unidade fora de Minas. O Jardim Canadá foi desativado na pandemia. A casa do Santa Tereza, aberta em junho de 2021, encerrou em agosto de 2023, um mês depois da estreia no Pátio Savassi.
Onde ficam as unidades hoje
O guia da Belotur, empresa municipal de turismo, lista três endereços. No Buritis, na Avenida Professor Mário Werneck, 1973, são sete operações. Na Savassi, na Rua Levindo Lopes, 124, cinco, mais bar e bazar. No Cidade Nova, na Rua Alberto Cintra, 32, outras cinco.
A quarta casa fica no Pátio Savassi, no piso L3, e não consta na lista da Belotur. Segundo o Diário do Comércio, ela ocupa 500 m², custou R$ 1,5 milhão e gerou cerca de 150 empregos diretos ao abrir, em agosto de 2023.
A unidade do Castelo, na Pampulha, saiu do guia oficial, e a página dela no portal municipal responde "acesso negado". O site da própria rede está fora do ar: em 23 de agosto, o endereço mercadodaboca.com.br não abria, porque o domínio não aponta para nenhum servidor. O registro segue ativo em nome do sócio Lucas Vereza, pago até maio de 2027, e o e-mail da marca continua funcionando.
Por que o food hall cresceu no Brasil
Food hall é o espaço que reúne vários restaurantes e bares sob o mesmo teto, com conta separada por operação. Segundo a Abrasel, o formato nasceu na Europa e nos Estados Unidos e chegou ao Brasil por São Paulo, Curitiba e Belo Horizonte.
A diferença em relação à praça de alimentação de shopping está no rateio de custo entre operações pequenas. "A vantagem é que você tem a economia compartilhada", afirmou Raphael Dabdab, empresário e membro do conselho da Abrasel, ao site Bares e Restaurantes.
O pano de fundo é um setor que cresce em faturamento e patina em margem, pressionado pela carga que o segmento discute na reforma tributária.
Bares e restaurantes movimentaram R$ 495 bilhões em 2025, contra R$ 455 bilhões em 2024, segundo a Abrasel. Descontada a inflação, o avanço real foi de 0,92%.
Ainda assim, 69% dos estabelecimentos esperavam faturar mais no primeiro trimestre deste ano, apurou a entidade. É o mesmo otimismo de quando 76% projetaram vender mais no Dia dos Pais.
O formato segue se espalhando. O Mané Mercado, de Brasília, anunciou chegada a São Paulo com R$ 20 milhões, e Curitiba ganhou a Mercadoteca, com 16 boxes. Em São Paulo, casa do Mercado de Pinheiros e do Eataly, mais de 20 restaurantes se reuniram no Villa-Lobos.
O crescimento tem custo para quem mora ao lado. Em abril, a prefeitura anunciou campanha contra ruído excessivo nos polos de bares da Savassi, do Buritis e da Alberto Cintra. A cidade registrou 9.373 reclamações de ruído em 2025, queda de 27,5% ante 2023.
O que acontece agora
As quatro unidades seguem em funcionamento. Buritis, Savassi e Cidade Nova abrem às 11h30 todos os dias e fecham entre 22h e meia-noite, conforme o guia da Belotur. A do Pátio Savassi acompanha o shopping, das 10h às 22h.
Com o site da marca fora do ar, o contato publicado pela prefeitura é o telefone (31) 3370-7005.
Ficha das unidades no guia da TV Sim Brasil
Duas das quatro casas já têm página no guia de Viagem e Gastronomia, com mapa, telefone e espaço para avaliação de leitor: Mercado da Boca Buritis (Av. Prof. Mário Werneck, 1973, telefone (31) 3370-7005) e Mercado da Boca Pátio Savassi (piso L3 do shopping). As casas da Savassi e do Cidade Nova ainda não têm ficha.


























