O Brasil já gastou R$ 40 bilhões desde 2008 para construir seu primeiro submarino de propulsão nuclear, o Álvaro Alberto, e ainda não tem data confiável para ver o projeto na água. A entrega, prevista para 2025 no plano original, foi adiada pela quarta vez e agora mira 2037.

O Programa Nuclear da Marinha nasceu em 1979. São 47 anos de história para um submarino que segue em construção no estaleiro de Itaguaí (RJ).

Onde está o gargalo

A Marinha avisou o Congresso que o novo atraso se deve a "indisponibilidade de recursos e ausência de previsibilidade orçamentária".

Na prática, faltam R$ 1 bilhão só para o programa não ficar parcialmente paralisado em 2026.

Os contratos com a francesa Naval Group, parceira tecnológica do projeto, somaram € 528 milhões apenas em 2025.

O dinheiro do submarino nuclear não vem sozinho. O governo reservou R$ 30 bilhões para modernizar as Forças Armadas até 2031, fora das regras do arcabouço fiscal.

O primeiro desembolso, de cerca de R$ 5 bilhões em 2026, está concentrado nos compromissos da própria Marinha, que fica com 32% do primeiro ciclo de investimento. Aeronáutica leva 37%, Exército, 26%.

Quem defende e quem ataca o programa

Para o deputado Ricardo Salles (SP), ex-ministro do Meio Ambiente, o país banca "projetos megalomaníacos que demoram 30 anos pra ficar de pé e nunca ficam".

Ele defende redirecionar o dinheiro de submarinos, mísseis e caças para o combate a contrabando de armas e drogas na fronteira.

Do outro lado, o ministro da Defesa, José Múcio Monteiro, defende publicamente elevar o investimento em defesa para 2% do PIB.

Um almirante ouvido pelo Correio Braziliense resume a posição da Marinha: o Brasil "não pode abrir mão do submarino nuclear".

O argumento estratégico é a Amazônia Azul, os 7.500 km de litoral brasileiro com recursos naturais que atraem interesse internacional crescente. Um submarino nuclear passa muito mais tempo submerso que um convencional, o que amplia a capacidade de vigilância dessa área.

O que o cronograma não responde

Nenhuma das fontes consultadas explica por que o programa segue sem um teto orçamentário estável depois de quatro adiamentos consecutivos.

Enquanto isso não muda, a pergunta que já dura décadas continua em aberto: quando o Álvaro Alberto sai do estaleiro e vai ao mar.