O senador Flávio Bolsonaro (PL) disse na noite de sábado (22), na Festa do Peão de Barretos (SP), que voltará ao evento em 2027 como presidente e ao lado do pai. Jair Bolsonaro cumpre prisão domiciliar desde março e está inelegível até 2030 por decisão do Tribunal Superior Eleitoral.

"Eu queria muito que o presidente Bolsonaro estivesse aqui, mas ano que vem ele voltar comigo aqui como presidente, se Deus quiser", disse o senador.

Flávio discursou ao lado do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), e dos deputados federais Nikolas Ferreira (PL-MG) e Guilherme Derrite (PP-SP). No mesmo palanque, Tarcísio chamou o senador de herdeiro do projeto de Jair Bolsonaro.

Segundo a agenda dos presidenciáveis daquele sábado, Flávio foi o único candidato à Presidência com compromisso registrado no Barretão. Lula estava no Rio de Janeiro, e Ronaldo Caiado (PSD) cumpria agenda em Limeira e Campinas.

No discurso, o senador falou de agronegócio e de segurança pública. Nenhuma das falas do palanque citou o presidente Lula (PT) pelo nome.

"Ultimamente, nosso agro tem sido muito atacado, tem ficado quase doente. Mas nós não vamos baixar a cabeça, vamos resgatar o nosso agro", afirmou.

Sobre segurança, deu um prazo. "Já tô avisando: marginais, narcoterroristas, vocês têm até dezembro desse ano para meter o pé do Brasil, porque, a partir de janeiro do ano que vem, nós vamos declarar guerra aos narcoterroristas", declarou.

O que impede Bolsonaro de voltar em 2027

A frase não disse em que condição o ex-presidente voltaria. Duas decisões já tomadas delimitam o que é possível, e nenhuma das duas depende do resultado da eleição.

A primeira é criminal. Em 11 de setembro de 2025, a Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal condenou Jair Bolsonaro na Ação Penal 2.668, sobre a trama golpista.

A pena é de 27 anos e 3 meses de prisão, mais R$ 376 mil de multa. O processo transitou em julgado em 25 de novembro daquele ano, o que encerrou os recursos e abriu a execução.

A segunda trava é eleitoral. Em 30 de junho de 2023, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) declarou o ex-presidente inelegível por oito anos contados das eleições de 2022, prazo que vai até 2030.

A decisão, por 5 votos a 2, reconheceu abuso de poder político na reunião com embaixadores estrangeiros em julho de 2022.

Bolsonaro está em prisão domiciliar desde 24 de março deste ano, quando o ministro Alexandre de Moraes autorizou o regime por 90 dias. Em 3 de julho, Moraes manteve a medida por tempo indeterminado, condicionada ao cumprimento de restrições.

A apuração por propaganda antecipada

O uso da imagem do pai na campanha já rendeu ao senador uma apuração na Justiça Eleitoral. Em 13 de julho, Moraes acionou o Ministério Público Eleitoral (MPE) por suposta propaganda antecipada.

O pedido veio depois de Flávio ler, em transmissão ao vivo, uma carta em que o pai o aponta como a melhor opção para a Presidência. Segundo o ministro, o texto tinha "carga semântica equivalente a um pedido explícito de votos".

O PT, pela Federação Brasil da Esperança, acionou o TSE contra Flávio, o vereador Carlos Bolsonaro e o PL por propaganda antecipada negativa contra Lula.

Em agosto, o tribunal passou a avaliar o banimento de deepfakes após um vídeo com a imagem do ex-presidente feita por inteligência artificial.

Em resposta apresentada em 28 de julho, Flávio negou irregularidade. Para o senador, o uso de inteligência artificial só é irregular quando há "capacidade concreta de enganar, falsificar acontecimentos, atribuir manifestação inexistente ou obscurecer a natureza sintética da peça".

O que acontece agora

A prisão domiciliar é revista caso a caso pelo STF. Em 21 de agosto, Moraes autorizou o ex-presidente a voltar a receber visitas.

Novo descumprimento das restrições pode levar o ministro a rever o regime, como ocorreu em novembro de 2025, quando a domiciliar foi revogada e Bolsonaro foi levado para a Polícia Federal.

A 71ª Festa do Peão de Barretos segue até 30 de agosto. O evento deve movimentar R$ 600 milhões na economia da cidade paulista.