O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), candidato à reeleição, voltou a criticar o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, nesta quarta-feira (23), em agenda de campanha no Rio de Janeiro. Lula disse que Trump fala "como se estivesse ameaçando todo mundo".
"Ele fala em toda reunião, 'eu sou o maior do mundo, eu tenho o maior do mundo, eu gosto do maior do mundo', sabe? Como se tivesse ameaçando todo mundo", disse Lula.
"Eu, como um ser do meu tamanho, eu não quero fazer guerra com ele, eu quero ganhar dele na narrativa, e nós estamos ganhando na narrativa", completou.
O petista comparou a fala com o discurso que fez um dia antes, na abertura da 81ª sessão da Assembleia Geral da ONU, em Nova York, e disse ser importante que os eleitores comparem os dois posicionamentos.
Lula disse ser importante comparar o discurso de "um presidente de um país em desenvolvimento" com o de um presidente que enumera superlativos sobre exército, marinha, foguetes e poder militar, numa referência indireta à fala de Trump na mesma tribuna da ONU.
Lula foi o primeiro chefe de Estado a discursar na conferência da ONU nesta edição. Na ocasião, defendeu a soberania do Brasil e disse não vai permitir que inimigos da democracia, internos ou externos, atentem contra ela.
No mesmo discurso, mencionou o cenário eleitoral brasileiro: em outubro, disse, a população vai decidir entre "democracia e negacionismo", numa referência direta à disputa presidencial que ele disputa neste ano.
Não é a primeira vez que Lula chama Trump de "imperador". Em julho de 2025, em entrevista à CNN, disse que o republicano precisava ser lembrado de que foi eleito para governar os Estados Unidos, "e não para ser o imperador do mundo".
Em junho de 2026, repetiu que o americano age como "imperador" e "fala muito e escuta pouco". O termo voltou a aparecer em entrevista à CNN, com Christiane Amanpour, na segunda-feira (21).
Na mesma entrevista, Lula tratou de uma possível interferência dos Estados Unidos na eleição de outubro. Segundo o presidente, o tema já foi discutido diretamente com Trump, que teria confirmado que não haverá interferência americana no pleito.
Horas depois do discurso na ONU, Lula cumpriu agenda de campanha no Rio, com evento cultural na Fundição Progresso para apresentar propostas do setor.
Participaram a ministra da Cultura, Margareth Menezes, e a primeira-dama Rosângela Lula da Silva, a Janja, além de artistas como Chico Buarque, Zeca Pagodinho e Daniela Mercury.
O mesmo tipo de agenda no Rio já rendeu ausências notadas de aliados como Eduardo Paes e Pedro Paulo em evento anterior.
"A cultura é o 1º embate que a gente faz para devolver às pessoas o prazer de morar na comunidade", disse Lula no evento, ao defender políticas para o setor.
A disputa em torno do papel dos Estados Unidos na eleição brasileira já rendeu outros episódios nesta semana. O governo chegou a listar quatro frentes em que vê interferência americana no pleito, enquanto Washington nega qualquer tentativa de influenciar o resultado de outubro.















































