A diplomacia brasileira avalia que a relação com os Estados Unidos seguirá como o maior desafio externo do Brasil, mesmo em um eventual 4º mandato de Lula. A avaliação surge após ele e Trump discursarem em direções opostas na ONU nesta terça (22).
"Nossas ações na Venezuela são prova de que os EUA não permitirão mais ameaças aos EUA para conquistar uma posição em qualquer lugar do Hemisfério Ocidental. Se necessário, usaremos nossa força militar para assegurar os interesses vitais dos Estados Unidos", disse Trump, na 81ª Assembleia-Geral da ONU.
Lula rebateu na mesma tribuna. Disse que a América Latina sofre tentativas de influência da "potência hegemônica" e que "o Brasil não cabe no quintal de ninguém".
Um dia antes, ele já havia dito que o país recusa monitoramento militar dos EUA no combate ao crime organizado.
Por que a tensão deve continuar mesmo com a reeleição?
Diplomatas ouvidos pela CNN Brasil avaliam que Trump vai seguir aplicando à América Latina uma versão da Doutrina Monroe até o fim do mandato dele, em 2029. Um exemplo citado é a captura do ex-presidente venezuelano Nicolás Maduro, no início de 2026.
Auxiliares de Lula apontam que o americano tenta reforçar a influência dos EUA na América do Sul e conter o avanço da China. Em um hipotético 4º mandato, o petista seguiria como resistência à estratégia, o que poderia acirrar o atrito.
Desde 2025, os dois países estão em rota de colisão em temas como tarifas, crime organizado e política interna.
Quais temas preocupam a diplomacia brasileira?
Os temas que mais preocupam são o combate ao crime organizado na América do Sul, a cooperação em minerais críticos e a regulação da inteligência artificial, aponta a avaliação repassada por auxiliares do presidente.
São áreas em que Brasil e Estados Unidos ora competem, ora precisam negociar. É nelas que qualquer aproximação ou ruptura entre os dois países deve se decidir nos próximos anos.
A disputa comercial já opõe os dois países em outra frente. As tarifas e o Pix travam a costura de um acordo comercial entre Brasília e Washington.
O embate na ONU repete um padrão. Trump já havia se encontrado com autoridades da Venezuela dias antes, no primeiro contato direto dos EUA com Caracas em 27 anos, com o petróleo venezuelano no centro da conversa.









































