O Índice de Confiança do Consumidor da FGV subiu 0,2 ponto em setembro, para 97 pontos, sexto mês seguido de alta na média móvel trimestral. O avanço, porém, veio só da faixa de renda mais baixa: entre quem ganha mais, a confiança caiu.
O Índice de Situação Atual (ISA) subiu 1,8 ponto, para 83,2 pontos. É o maior nível desde dezembro de 2014, mês anterior ao início da recessão brasileira. O dado mede como o consumidor avalia o presente, não o futuro.
Já o Índice de Expectativas (IE) caiu 0,9 ponto, para 106,7 pontos. O indicador tinha subido 10 pontos entre maio e agosto.
Consumidores com renda até R$ 4.800 ficaram mais confiantes, com a melhora na situação atual. Já entre quem ganha de R$ 4.800 a R$ 9.600, e acima disso, a confiança caiu.
É a mesma economia vista de dois ângulos: quem ganha menos sente o presente melhorar, enquanto quem ganha mais teme o futuro.
A confiança permanece em trajetória de alta, apesar da moderação dos ganhos frente aos meses anteriores.
diz Anna Carolina Gouveia, economista da FGV IBRE.
O que explica a divisão por renda
A economista atribui o quadro misto à convivência entre fatores positivos, como o mercado de trabalho, e condições mais duras, como juros altos e endividamento. Os juros seguem elevados mesmo após o Banco Central começar a cortar a Selic.
O motivo é externo: o Fed sinalizou mais juros nos EUA, reduzindo a vantagem brasileira para atrair capital. No mesmo período, o varejo brasileiro cresceu 7% em agosto, segundo a Stone, e o score de crédito do brasileiro vem caindo.
O ponto em aberto
O Índice de Situação Atual está no nível mais alto desde dezembro de 2014, mês anterior ao início da recessão que derrubou a economia brasileira por dois anos.
A diferença agora é que a alta se concentra em quem ganha menos. O levantamento da FGV não diz se ela resiste caso os juros sigam pressionando o crédito das famílias de renda mais alta.





























