Um exame de sangue capaz de sinalizar mais de 50 tipos de câncer, batizado de Galleri, já é oferecido de forma restrita por laboratórios e centros de oncologia no Brasil. O teste, fabricado pela americana Grail, custa cerca de US$ 1.000.
O teste funciona como rastreamento, não como diagnóstico. Quando um tumor cresce, ele libera fragmentos do próprio DNA na corrente sanguínea, e uma única coleta pode flagrar esses fragmentos.
A neurocirurgiã americana Katrina Firlik fez o teste por impulso, sem sintoma nenhum, e o resultado deu positivo. Um exame de imagem revelou um nódulo no peito dela, diagnosticado como linfoma de Hodgkin em estágio inicial.
"Eu não precisei sobreviver a uma crise de câncer", disse Firlik.
A médica Vershalee Shukla, que dirige um programa de rastreamento para bombeiros no Arizona, já fez quase 10 mil biópsias líquidas em cinco anos. Encontrou menos de uma dúzia de cânceres.
"Simplesmente não detecta câncer", disse Shukla.
Em um mesmo dia, o teste deu negativo para 500 bombeiros, mas 15 deles tinham câncer, achado somente nos exames de rastreio tradicionais, como a mamografia, que agora tem cobertura sem limite de idade nos planos de saúde.
A fabricante Grail afirma que o Galleri não substitui os exames de rotina e deve ser usado em conjunto com eles. O neurocirurgião Sanjay Gupta, que testou o exame e teve resultado negativo, disse que vai manter a colonoscopia programada.
Resultado negativo não é garantia de estar livre da doença, e pode até criar uma falsa sensação de segurança. É a mesma cautela que médicos já pedem em outro exame de sangue, que promete prever o Alzheimer antes dos sintomas.
Quem pode fazer o exame no Brasil?
No Brasil, o exame é recomendado para maiores de 50 anos, para quem tem histórico familiar de câncer ou fatores de risco conhecidos. Ainda não há cobertura de plano de saúde, e o preço varia entre os laboratórios que oferecem o teste.
A chegada do Galleri amplia um leque que já vinha crescendo no país: em 2026, novos exames também passaram a aumentar as opções de rastreamento para o câncer colorretal.
Detectar cedo importa. Um policial levou sete anos para receber o diagnóstico de um câncer de tireoide, tempo que exames de rastreamento bem indicados ajudam a encurtar.
O que acontece agora
O que o estudo SYMPLIFY encontrou sobre a biópsia líquida
- 66,3%Sensibilidade geral do teste (capacidade de flagrar quem tem câncer)
- 98,4%Especificidade (capacidade de não errar em quem não tem câncer)
- 85,2%Acurácia para prever em qual órgão o tumor está
- +16%Mais diagnósticos em estágio inicial (1 e 2) entre quem fez o teste
Fonte: Estudo SYMPLIFY, citado pelo Medscape Brasil · verificado em 24/09/2026
Segundo Gupta, ainda não existe o estudo grande e demorado que faltaria para provar que o Galleri salva vidas, o mesmo tipo de comprovação que já existe para colonoscopia e mamografia. Até lá, o exame segue como complemento, não substituto, do rastreamento tradicional.





























