O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse nesta terça-feira (22), na abertura da Assembleia Geral da ONU, em Nova York, que as guerras no Oriente Médio e na Ucrânia pressionam os preços de combustível, fertilizante e alimento em todo o mundo, inclusive no Brasil.

Ele citou o conflito no Irã, que interrompeu o Estreito de Ormuz, como uma "trincheira de guerra". "Famílias em todo o mundo pagam pelo aumento dos preços de combustíveis, fertilizantes e alimentos", disse Lula, segundo o Correio Braziliense.

O presidente também citou a guerra entre Rússia e Ucrânia, que já dura cinco anos, e alertou que o conflito no Oriente Médio torna cada vez mais inviável a solução de dois Estados para israelenses e palestinos.

Todos sabemos que não haverá vencedores no campo de batalha. A diplomacia é a única opção.

No mesmo discurso, Lula defendeu a soberania brasileira diante de pressões externas e recusou o uso de porta-aviões dos Estados Unidos contra o crime organizado.

Em entrevista à CNN International na véspera (21/09), em Nova York, Lula já havia dito que não quer que "essa confusão das guerras" chegue ao Brasil. Segundo o presidente, combustível, gasolina, fertilizante e alimento subiram de preço no mundo todo, inclusive nos Estados Unidos.

O governo brasileiro, segundo Lula, adotou medidas para blindar o país da alta de preços. O presidente não detalhou quais medidas nem valores durante a entrevista.

O discurso sobre o Irã não chegou a abalar o mercado brasileiro nesta terça. Segundo o Valor Econômico, o dólar à vista fechou em queda de 0,11%, a R$ 5,1028.

A moeda oscilou entre R$ 5,0973 e R$ 5,1355 ao longo do dia. Pela manhã havia mais preocupação com o cenário externo, mas o clima mudou à tarde, após falas do presidente americano Donald Trump.

Para operadores, o comportamento do real tem dependido mais da disputa eleitoral brasileira do que da guerra no Irã.

O euro comercial recuou 0,24%, a R$ 5,8421. Já o índice DXY, que mede a força do dólar ante seis moedas, subia 0,11%, aos 100,537 pontos, por volta das 17h15.

Trump discursa a seguir, na mesma sessão

Trump discursa logo depois de Lula na Assembleia Geral e deve defender as operações militares contra o Irã, repetindo que Teerã não pode ter armas nucleares. Ele enfrenta pressão doméstica com o diesel em preço recorde nos EUA, às vésperas dos midterms de novembro.

A contraposição é direta. Enquanto Lula defende multilateralismo, paz global e reforma do Conselho de Segurança da ONU, Trump deve classificar os bombardeios contra o Irã como bem-sucedidos e priorizar soluções militares aos interesses unilaterais dos Estados Unidos, segundo o Poder360.