O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) reuniu cerca de 100 artistas na Fundição Progresso, no Rio de Janeiro, na noite desta quarta-feira (23), no evento "Cultura com Lula". Da chapa dele no estado, só Benedita da Silva (PT) esteve presente.

O candidato ao governo do Rio, Eduardo Paes (PSD), e o candidato ao Senado Pedro Paulo (PSD), os outros dois nomes da mesma coligação, não foram ao evento. O prefeito Eduardo Cavaliere (PSD) representou a administração municipal.

Não é a primeira falta de Paes a um compromisso com Lula. Na sexta-feira anterior (18/9), ele também não foi a uma cerimônia sobre segurança pública no Complexo da Polícia Rodoviária Federal.

O evento de 18/9 teve a presença do presidente, do diretor da PF, Andrei Rodrigues, e do governador em exercício, Ricardo Couto.

Naquela ocasião, a campanha de Paes citou a legislação eleitoral, que limita a participação de candidatos em certos eventos ao lado de autoridades públicas, como justificativa para a ausência.

Aliados do candidato argumentam que ele tem capital político próprio, construído em quatro mandatos como prefeito do Rio, e que a campanha prefere destacar a união de uma coalizão ideologicamente variada. Paes lidera as pesquisas mais recentes para o governo do estado.

O pano de fundo é o resultado presidencial de 2022 no Rio: Jair Bolsonaro teve 51,09% dos votos válidos no 2º turno contra 40,68% de Lula. Essa vantagem de mais de 10 pontos alimenta o rótulo que opositores usam contra Paes, o de "BolsoPaes".

Duas faltas em cinco dias já formam um padrão de comportamento, não um episódio isolado.

A própria Benedita da Silva está numa disputa própria: ela lidera uma corrida mais aberta pelo Senado, segundo pesquisas recentes.

O Rio segue como um dos palcos mais disputados da eleição presidencial também. Na semana passada, Lula e Flávio Bolsonaro fizeram atos simultâneos no estado, sinal de que os dois seguem disputando o mesmo eleitorado por lá.

O que o padrão sinaliza para a disputa no Rio

A pergunta que fica não é se Paes apoia Lula. É até onde essa aliança aparece nas fotos, nos palanques e nos eventos de campanha, num estado onde o bolsonarismo venceu por mais de dez pontos há quatro anos.