O banco central da Dinamarca dobrou a projeção de crescimento do país para 2026, de 1,8% a 4%, por causa da demanda nos EUA por remédios da Novo Nordisk, dona do Ozempic e do Wegovy. O impulso vem do acordo com o governo americano.
Em relatório especial, o Danmarks Nationalbank atribuiu o crescimento “extraordinário” da indústria farmacêutica no primeiro semestre de 2026 às vendas e à produção da Novo Nordisk no mercado americano.
O crescimento se deve principalmente às vendas e à produção da Novo no mercado americano no início deste ano. Isso reflete o acordo da Novo com o governo dos Estados Unidos, que, entre outras medidas, ampliou o acesso a uma base maior de pacientes por meio de programas públicos de seguro-saúde.
Como um remédio move o PIB de um país
Em março, o banco central projetava crescimento de 1,8% em 2026 e 2027, e de 2% em 2028, sem mencionar o setor farmacêutico. Na revisão desta semana, a projeção para 2026 saltou para 4%.
A de 2027 subiu para 2,3%, e a de 2028 ficou estável em 2%. O acordo por trás do salto é focado nos medicamentos para perda de peso e diabetes.
A Casa Branca havia garantido da Novo uma política de preços de “nação mais favorecida avançada”, com valores mais baixos para pacientes do Medicare e do programa TrumpRx.
Um mês depois, a FDA aprovou a versão em comprimido do Wegovy, a primeira do tipo autorizada pela agência.
O que isso significa para quem toma o remédio no Brasil
O boom americano acontece enquanto o Brasil ainda discute como pagar pelo mesmo remédio. Em maio, a Novo Nordisk propôs à Conitec fornecer o Wegovy ao SUS com 59% de desconto.
A proposta é de R$ 538,90 por caneta, para pacientes com obesidade e histórico de infarto.
Em 17 de setembro, o governo brasileiro anunciou que vai oferecer medicamentos da classe GLP-1 de graça pelo SUS, mas sem definir data, orçamento ou volume de compra. Uma avaliação anterior da Conitec estimava o custo da incorporação em mais de R$ 8 bilhões.
Enquanto o SUS não decide, genéricos já derrubaram em até 35% o preço da caneta emagrecedora nas farmácias brasileiras, com opções como a Semavy, vendida a partir de R$ 333.
O que acontece agora
A Novo Nordisk aposta em manter o ritmo: a farmacêutica promete lançar cinco remédios bilionários até 2030.
No Brasil, o desfecho da negociação com a Conitec deve definir se o Wegovy chega de graça ao SUS ou segue disputando mercado com os genéricos já aprovados pela Anvisa.





























