Dezessete deputados federais do PT, PCdoB, PSol e Rede protocolaram nesta quarta-feira (2) uma petição pedindo à Procuradoria-Geral da República que requisite o afastamento do ministro André Mendonça, do STF, da relatoria do caso Banco Master. O grupo alega que o ministro perdeu a imparcialidade necessária para conduzir a investigação.
Segundo a petição, Mendonça tornou públicas investigações que envolvem o senador Jaques Wagner (PT-BA) e informações ligadas ao ministro Alexandre de Moraes, mas manteve em sigilo os procedimentos referentes a Flávio Bolsonaro. É esse tratamento desigual entre alvos do mesmo inquérito que sustenta o pedido de suspeição, mais do que qualquer fato isolado.
O grupo questiona ainda a condução da Operação Compliance Zero, deflagrada para apurar o colapso do Banco Master, mas não detalha no texto qual seria a falha na investigação.
O que motivou o pedido
O estopim foi a confirmação, pelo próprio Mendonça, de um encontro com o empresário Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, em 14 de março de 2025. A reunião, de cerca de duas horas, aconteceu em São Paulo por iniciativa de Vorcaro, um ano antes de o ministro assumir a relatoria do caso, em fevereiro de 2026.
Segundo Mendonça, o encontro tratou de uma ação sobre créditos de precatórios de interesse do Banco Master, então parada por pedido de vista de outro ministro.
A petição também cobra explicações sobre o financiamento do filme "Dark Horse", que teria recebido US$ 12,3 milhões de Vorcaro. Os deputados pedem que Mendonça reconsidere de imediato o sigilo sobre os procedimentos envolvendo Flávio Bolsonaro e que o caso seja levado à primeira sessão presencial do STF.
O pedido chega em meio a um atrito mais amplo no tribunal. A divulgação de mensagens trocadas entre Vorcaro e o ministro Alexandre de Moraes já havia colocado Mendonça sob pressão dentro do próprio STF, e Moraes topou levar o desentendimento ao plenário.
O que acontece agora
Cabe ao presidente do STF, Edson Fachin, decidir se encaminha o pedido à PGR. Fachin já havia prometido medidas cabíveis depois que as mensagens entre Vorcaro e Moraes vieram a público, mas ainda não fixou data para uma resposta formal ao pedido de suspeição.
O caso do Banco Master segue em paralelo na esfera penal. A PGR já fechou a primeira delação premiada com o ex-dono da financeira Reag, ligada ao mesmo inquérito.
































