O Ibovespa fechou nesta quarta-feira (2) em 185.205,09 pontos, alta de 3,05% e o maior nível desde o início de maio. No mesmo dia, o dólar caiu 0,91%, a R$ 5,1065, o menor patamar desde 7 de agosto.
O gatilho foi uma nova pesquisa Quaest, que mostrou o presidente Lula com 42% das intenções de voto no 2º turno contra 41% de Flávio Bolsonaro. A diferença, que era de 3 pontos na pesquisa anterior, caiu para 1, dentro da margem de erro de 2 pontos.
Por que um número de pesquisa move a Bolsa
Para o analista Marco Tulli Siqueira, da Necton/BTG Pactual, o fluxo estrangeiro na compra de ações puxou a alta, somado ao quadro eleitoral.
Já João Daronco, da Suno Research, resume o mecanismo. Segundo ele, o mercado tenta antecipar o resultado da eleição antes de ele acontecer.
Marcos Bassani, da Boa Brasil Capital, vai direto ao ponto que interessa ao investidor. Para ele, uma eventual troca de governo é lida como possível sinal de uma política econômica mais ortodoxa.
Jefferson Rugik, da Correparti Corretora, nota que o investidor estrangeiro voltou a olhar para o Brasil, puxado pela disparada da própria bolsa. Em agosto, uma alta parecida também não bastou para tirar o mês do vermelho, o que mostra como um único pregão forte não define a tendência do mês.
O que o número não garante
A diferença de 1 ponto entre Lula e Flávio está dentro da margem de erro de 2 pontos da pesquisa, o que significa que, tecnicamente, o cenário é de empate técnico, não de vantagem estatística confirmada para nenhum dos dois lados.
Ainda assim, o volume financeiro do pregão bateu R$ 40,86 bilhões, sinal de que o mercado tratou a pesquisa como informação relevante, mesmo estatisticamente inconclusiva.
Não é a primeira vez que a dupla sobe e cai junto. Dias antes, o Ibovespa já havia fechado em alta puxado por bancos enquanto o dólar recuava.
O que a TV Sim observa
Os próprios analistas descrevem o mecanismo como uma tentativa de antecipar o resultado antes de ele existir. A pergunta que fica para as próximas pesquisas é se o mercado vai continuar reagindo a cada nova rodada com a mesma intensidade, ou se vai esperar por um sinal mais consistente antes de precificar de novo.


























