A Motiva, antiga CCR, concluiu nesta terça-feira (1º) a venda de sua plataforma de 20 aeroportos ao grupo mexicano Asur por R$ 12,2 bilhões. O pacote inclui 17 terminais no Brasil, entre eles Confins, Curitiba e Foz do Iguaçu, e mais três no Equador, na Costa Rica e em Curaçao.

Completam a lista brasileira os aeroportos de Goiânia, Joinville, Palmas e Teresina, além de outros terminais dos blocos Sul e Central de concessões aeroportuárias.

O valor final ficou acima dos R$ 11,5 bilhões anunciados em novembro de 2025, por causa de ajustes monetários entre o anúncio e a conclusão do negócio.

Do total, R$ 5,187 bilhões entraram no caixa da Motiva pela venda integral das ações da CPC Holding, dona da concessão dos 20 aeroportos. A diferença, cerca de R$ 7 bilhões, corresponde à dívida das concessões que a Asur assume junto com os ativos.

Segundo a Motiva, os aeroportos vendidos somaram 48 milhões de passageiros em 2025.

Com a aquisição, a rede da Asur soma o aeroporto de Cancún e outros oito terminais que já operava aos 20 novos, chegando a 71,6 milhões de passageiros por ano nas Américas.

Como fica a estrutura da Motiva

A companhia, que se chamou CCR por 25 anos, adotou o nome Motiva em abril de 2025. O CEO Miguel Setas resumiu o motivo: "o escopo da CCR se ampliou e o significado da marca já não estava mais adequado à realidade dos negócios", disse.

De acordo com a empresa, a mudança de nome reflete uma reestruturação que a Motiva conduz desde 2023, com revisão de estratégia, estrutura organizacional e cultura corporativa.

A venda dos aeroportos sinaliza a decisão da companhia de concentrar seus investimentos em rodovias e outros modais de mobilidade urbana, na linha da simplificação de portfólio citada como motivação do negócio.

Assine o Resumo do dia e receba de segunda a sábado, no seu e-mail, as notícias que você não pode perder.

Sem spam — você pode cancelar quando quiser.

Cerca de 1.000 funcionários brasileiros são mantidos na operação sob a nova controladora. A frente brasileira da Asur passa a ser comandada por José Formoso, que veio do setor de telecomunicações, onde trabalhou na Embratel e na Claro Empresas.

O que acontece agora

A conclusão do negócio veio depois de a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) aprovar por unanimidade, em 12 de junho, a transferência do controle societário dos aeroportos para a Asur.

A área técnica da Anac avaliou que a Asur cumpria os requisitos jurídicos, técnicos e fiscais exigidos, sem comprometer a continuidade dos serviços. Falta agora integrar os 17 terminais brasileiros à rede mexicana, processo que a empresa não detalhou publicamente.