O petróleo Brent chegou a US$ 97,04 no fim de semana, depois que dois petroleiros foram atingidos por minas no Estreito de Ormuz, em meio a novos ataques entre Estados Unidos e Irã. A passagem concentra cerca de um quinto do petróleo e do gás natural liquefeito consumidos no mundo.

Apesar disso, o preço da gasolina e do diesel nos postos brasileiros não mudou. A ação da Petrobras chegou a disparar 4% na Bolsa num ataque anterior da mesma escalada, mas a explicação para o preço nos postos está numa defasagem que já existia antes do ataque.

O colchão que segura o preço na bomba

Segundo a Abicom, na leitura de 1º de setembro, a gasolina A estava 58% abaixo da referência internacional, o equivalente a R$ 1,48 por litro. O diesel A S10 estava ainda mais defasado, em 88%, ou R$ 2,89 por litro.

Na prática, o preço interno já rodava tão abaixo do mercado externo que a alta do Brent, por enquanto, apenas reduz essa distância, sem empurrar o litro do combustível para cima.

A Petrobras também tem um papel nisso. A companhia historicamente usa três instrumentos. Espera para distinguir alta temporária de mudança persistente no preço do petróleo, faz reajustes seletivos e recorre a mecanismos de subvenção que amortecem o impacto no consumidor final.

O que muda se a defasagem acabar

Uma alta de 5% na gasolina se traduziria em cerca de 0,26 ponto percentual a mais no IPCA, o índice oficial de inflação.

O diesel mais caro pesa ainda mais no bolso de quem não tem carro. Ele encarece o frete, e o frete encarece o preço dos alimentos no mercado.

O aumento no Oriente Médio já provocou outros efeitos em cadeia no Brasil nesta semana, incluindo a retaliação do Irã contra cinco países depois do ataque a Larak. O saldo de seis meses de escalada para o país já foi mapeado em ganhos e perdas específicos em levantamento anterior.

Quanto tempo o colchão aguenta

A defasagem de hoje não é uma garantia permanente, é um espaço que pode se esgotar se o Brent continuar subindo ou ficar assim por muito tempo.

Os instrumentos que a Petrobras usa para decidir um reajuste não têm gatilho automático nem prazo fixo, o que deixa o consumidor sem saber com antecedência quando esse cálculo muda.