O ex-controlador do Banco Master Daniel Vorcaro prestou depoimento à Polícia Federal nesta quinta-feira (27), por videoconferência, sobre suspeita de repasses financeiros a dois ex-diretores do Banco Central. Foi seu primeiro depoimento desde a troca de defesa e após duas propostas de delação rejeitadas.

A Polícia Federal apura se Paulo Sérgio Neves de Souza, ex-diretor de Fiscalização do BC, e Bellini Santana, ex-chefe do Departamento de Supervisão Bancária, receberam vantagens de Vorcaro para dar tratamento favorável ao Master. A suspeita inclui repasses financeiros e serviços no exterior aos dois.

Segundo o Correio Braziliense, o depoimento serviu para confrontar Vorcaro com provas já reunidas pela PF, pelo Ministério Público e pelo Banco Central. A defesa informou que ele respondeu a todas as perguntas, no segundo depoimento de Vorcaro à PF em oito dias.

Vorcaro está preso preventivamente sob custódia do 19º Batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal, a unidade conhecida como Papudinha.

A prisão atual não é a primeira. Ele foi detido pela primeira vez em novembro de 2025, no Aeroporto de Guarulhos, quando tentava embarcar para Dubai, um dia antes de o Banco Central decretar a liquidação extrajudicial do Master e de sua corretora de câmbio.

Ele obteve liberdade provisória por decisão do TRF-1 dias depois, mas voltou à prisão preventiva nos meses seguintes.

O que já foi apurado até agora

O caso é investigado pela Operação Compliance Zero, deflagrada em novembro de 2025. A primeira fase somou cinco mandados de prisão preventiva, dois temporários e 25 de busca e apreensão, com R$ 230,13 milhões apreendidos, incluindo uma aeronave de luxo de R$ 200 milhões.

Uma segunda fase, lançada em 14 de janeiro, somou 42 mandados de busca e apreensão autorizados pelo Supremo Tribunal Federal.

O STF já autorizou o bloqueio de mais de R$ 5,7 bilhões em bens ligados ao esquema, apontado pela investigação como uma das maiores fraudes já registradas contra o sistema financeiro nacional.

Parte desses bens já foi recuperada fora do país. Em agosto, a PF recuperou no Paraguai um jato de R$ 117 milhões ligado ao banqueiro, e em julho o ministro Jaques Wagner (Casa Civil) também foi chamado a depor, sem que isso configure acusação.

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O nome de Vorcaro ainda aparece em outra apuração, sobre o financiamento do filme "Dark Horse", em que um perito admitiu não rastrear a origem do dinheiro ligado a ele. O escrutínio sobre as finanças do banqueiro já não se limita ao Banco Master.

O que acontece agora

A PF deve decidir se pede novas medidas contra os dois ex-servidores do BC, que ainda não foram denunciados pelo Ministério Público. Em julho, o ministro André Mendonça (STF) já havia autorizado o rastreamento de bens de Vorcaro no exterior, etapa em andamento.

Nenhum dos dois ex-diretores do BC teve prisão decretada até a publicação desta matéria.