O ministro André Mendonça decidiu levar ao plenário do Supremo Tribunal Federal (STF) as mensagens que a Polícia Federal atribui ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro e ao ministro Alexandre de Moraes. Mendonça é o relator do caso Banco Master. O procurador-geral da República, Paulo Gonet, pediu a nulidade da apuração que originou o relatório.

O documento tem 218 páginas, foi produzido pela Polícia Federal e autuado no STF na sexta-feira (28 de agosto). Ele reúne mensagens extraídas do celular de Vorcaro. O sigilo foi levantado no dia da publicação, e os novos elementos foram separados da investigação original.

Segundo o relatório, as mensagens fariam parte da Operação Compliance Zero, que apura fraudes no Banco Master. Mendonça classificou o plenário como a "instância soberana" para julgar o caso, e determinou que a sessão seja pública.

O que diz a Polícia Federal

O relatório de 218 páginas não é conclusivo, segundo a própria PF. A análise durou 72 horas e cobriu apenas um dos celulares apreendidos com Vorcaro.

A corporação afirma ter transcrito só as menções nominais já identificadas, e reconhece que pode haver outras referências ainda não detectadas. Mendonça já havia dito, em março, que outros 9 aparelhos apreendidos na operação aguardavam perícia.

A resposta da PGR

Paulo Gonet pediu a nulidade do relatório e de todo o processo dele decorrente. Para o procurador-geral, a ordem de Mendonça à Polícia Federal ultrapassou os limites da função de relator.

A ordem dada à autoridade policial para investigar pessoas específicas, sem pedido do Ministério Público e sem iniciativa da autoridade policial, é nula.

Gonet argumenta que investigação sobre ministro do STF exige autorização prévia do plenário, e que o caso deveria ter sido encaminhado ao presidente da Corte, ministro Edson Fachin, e não conduzido diretamente pelo relator.

Moraes já havia negado, antes da divulgação deste relatório, ter mantido conversas com Vorcaro.

Não é a primeira vez que a PGR contesta o rito de um caso sensível no STF. Em agosto, Gonet pediu que o caso do filho de Lula, Fábio Luís, saísse da Corte e fosse para a 1ª instância.

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Vorcaro foi preso em 18 de novembro de 2025, no Aeroporto de Guarulhos, quando tentava embarcar em voo para Dubai. O mandado foi expedido pelo juiz Ricardo Augusto Soares Leite, e o Banco Central liquidou o Banco Master no mesmo dia.

O caso corre em paralelo a outro inquérito do STF sobre mensagens de Vorcaro, este envolvendo o pré-candidato Flávio Bolsonaro e o filme Dark Horse.

O que acontece agora

A entrada do caso na pauta do plenário depende de decisão do presidente do STF, Edson Fachin. Enquanto isso, o processo segue em aberto. A PGR pede a extinção, e Mendonça insiste no julgamento público.