O Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro (TRE-RJ) indeferiu, por unanimidade, nesta terça-feira (1º), o registro de candidatura do deputado estadual Val Ceasa (PRD) à reeleição para a Assembleia Legislativa (Alerj). A decisão aponta indícios de vínculo do parlamentar com o Terceiro Comando Puro (TCP).
Segundo o TRE-RJ, o julgamento ocorreu em ação de impugnação apresentada pela Procuradoria Regional Eleitoral (PRE), órgão do Ministério Público Eleitoral.
O desembargador Claudio de Mello Tavares, presidente da corte, destacou a atuação preventiva da Justiça Eleitoral ao votar pelo indeferimento. Para o tribunal, os elementos reunidos no processo eram suficientes para barrar a candidatura antes mesmo do pleito de outubro.
O que diz a defesa
Val Ceasa afirmou ter recebido a decisão com indignação e negou qualquer envolvimento em irregularidades. Disse se considerar uma pessoa correta e que pretende provar sua posição na Justiça.
A defesa do deputado confirmou que vai recorrer ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), última instância para reverter o indeferimento antes da eleição.
O caso não nasceu na campanha eleitoral. Em junho de 2026, Val Ceasa já havia sido alvo de uma operação policial por suspeita de vínculo com a mesma facção, segundo a Agência Brasil.
O indeferimento do registro é o desdobramento eleitoral de uma investigação que já corria havia meses, não um episódio isolado da disputa por vagas na Alerj.
O TCP também aparece em outras frentes da Justiça no estado. O Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) denunciou 20 pessoas por elo entre uma milícia de Curicica e a facção, incluindo dois policiais militares.
A decisão chega em meio a um ano em que a Justiça Eleitoral tem usado com mais frequência a tese de vínculo com organização criminosa para barrar candidaturas, no mesmo estado em que Ricardo Paes lidera a disputa pelo governo com folga nas pesquisas.
O que acontece agora
Cabe recurso ao TSE, sem prazo divulgado pelo TRE-RJ. Enquanto o tribunal superior não julga, Val Ceasa segue fora da lista de candidatos habilitados à Alerj.
O debate sobre o alcance da lei contra facções ganhou força este ano, com o STF ouvindo 48 especialistas em audiência pública sobre a Lei Antifacção.


























