O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, afirmou nesta quarta-feira (2) que vai anunciar "medidas cabíveis e necessárias" após a revelação de mensagens trocadas entre o banqueiro Daniel Vorcaro e o ministro Alexandre de Moraes. A declaração vem em meio a uma divisão da Corte sobre investigar Moraes no caso.

Segundo relatório da Polícia Federal, Vorcaro enviou 28 mensagens a um número atribuído a Moraes na semana anterior à prisão do banqueiro, em novembro de 2025.

As mensagens vieram a público em março, quando trechos apareceram na CPMI do INSS e foram publicados pelo jornal O Globo, que teve acesso aos prints encontrados pela PF no celular de Vorcaro.

Segundo a apuração, as mensagens mostram Vorcaro tentando obter influência para conter as investigações da PF e da PGR e para "sensibilizar" Andrei Rodrigues, diretor-geral da Polícia Federal. Ele chegou a cogitar deixar o Brasil, segundo o relatório da corporação.

Fachin disse que vai agir "com serenidade, responsabilidade e firmeza" e defendeu: "a elevada autoridade do cargo não confere privilégios, mas impõe deveres, limites e responsabilidades", afirmou.

Como fica a votação no STF

O plenário está dividido, por 4 votos a 3, sobre abrir uma investigação formal contra Moraes. Votam a favor Fachin, Luiz Fux, Kassio Nunes Marques e André Mendonça; são contrários Gilmar Mendes, Flávio Dino e Cristiano Zanin.

Moraes, alvo da apuração, e Dias Toffoli devem se declarar suspeitos e não votam. Isso deixa o desfecho nas mãos de Cármen Lúcia, a única ministra com voto ainda indefinido.

Pelo regimento interno do STF, um empate no colegiado favorece a parte investigada. Se Cármen Lúcia votar contra a abertura do inquérito, o empate faz Moraes escapar da investigação.

O outro lado

Desde março, o gabinete de Moraes nega que ele tenha recebido as mensagens. Em nota, a Secretaria de Comunicação do STF disse que uma análise técnica do celular de Vorcaro apontou os prints como vinculados a outros contatos do banqueiro, não a Moraes.

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O caso é um desdobramento da Operação Compliance Zero, que apura fraude na venda da carteira de crédito do Banco Master ao BRB. A PGR já fechou uma primeira delação premiada nessa investigação.

Em agosto, Mendonça já havia levado o caso das mensagens ao plenário do STF, movimento que Moraes classificou como um confronto direto.

O presidente do Senado, Davi Alcolumbre, também tem rebatido a pressão política em torno do ministro.