O presidente Luiz Inácio Lula da Silva determinou nesta quinta-feira (27) que o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, se reúna com o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF). O encontro, mediado pelo ministro da Justiça, Wellington César Lima e Silva, busca conter uma crise institucional entre a PF e o STF que já dura semanas.
Mendonça é o relator do inquérito que apura fraudes no INSS há quase um ano. Desde então, determinou que os policiais federais diretamente envolvidos na apuração não repassem informações nem à própria cúpula da corporação, para reduzir o risco de vazamento.
Andrei Rodrigues contesta a medida. Ele questiona por que o despacho de Mendonça não aponta fatos concretos que provem conduta irregular da PF e levou a divergência à Advocacia-Geral da União (AGU).
Os 27 superintendentes regionais da corporação já publicaram nota pública de apoio à direção de Rodrigues. Para eles, a determinação soa como intervenção do STF na rotina de trabalho da PF.
A crise ganhou um capítulo mais sensível com a apuração sobre repasses do investigado conhecido como Careca do INSS à lobista Roberta Luchsinger. A Polícia Federal apura se parte desse dinheiro chegou a Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente.
Mensagens encontradas pela PF mostram Lulinha tratando de negócios com a lobista, como a compra de produtos à base de canabidiol e de kits contra a dengue. Nenhum contrato chegou a ser fechado, segundo a apuração.
A Procuradoria-Geral da República já pediu que a investigação sobre Lulinha saia do STF e vá para a primeira instância da Justiça. O pedido reforça a disputa sobre quem, na prática, controla o ritmo do caso.
A suspeita nasce de uma transferência de R$ 1,5 milhão de Careca do INSS a Roberta, rastreada pela Polícia Federal. A investigação apura possível tráfico de influência de Lulinha junto a órgãos do governo federal, e ele nega qualquer irregularidade.
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A proximidade das eleições de 2026 aumenta a sensibilidade em torno dos dois casos, porque o governo busca preservar sua base política junto ao eleitorado.
O que acontece agora
A reunião entre Rodrigues e Mendonça ainda não tem data marcada. O ministro da Justiça vai mediar o encontro, e o advogado-geral da União, Jorge Messias, pode participar.
É a mais recente tentativa de destravar o impasse. O ministro Edson Fachin já havia feito duas reuniões de emergência para conter a crise entre a PF e o STF, sem resolvê-la.



























