A Fiocruz vai iniciar os testes clínicos da primeira vacina brasileira de RNA mensageiro contra a Covid-19, testada como dose de reforço. O recrutamento dos voluntários está previsto para o primeiro trimestre de 2027, com 90 participantes saudáveis, de 18 a 59 anos, selecionados no Rio de Janeiro.
Na primeira fase, os pesquisadores vão avaliar a segurança e a capacidade de resposta da vacina. Os voluntários entram no estudo ao longo de seis meses e depois são acompanhados por mais seis, totalizando um ano de observação por participante.
Os testes acontecem em duas unidades no Rio de Janeiro: a Unidade de Ensaios Clínicos para Imunobiológicos, da própria Fiocruz, e a Policlínica Lincoln de Freitas Filho.
A pesquisa clínica em si já tinha sido autorizada pela Anvisa em agosto, dentro de uma resolução que também liberou outros 17 medicamentos para pesquisa. O que muda agora é o começo concreto do recrutamento, com data e número de voluntários definidos.
Quanto o Brasil investiu
O Ministério da Saúde aplicou R$ 210 milhões no desenvolvimento de plataformas nacionais de RNA mensageiro. A Fiocruz, pelo instituto Bio-Manguinhos, recebeu R$ 77 milhões.
O Instituto Butantan ficou com R$ 73 milhões, e o Centro de Competência em Vacinas da UFMG, com R$ 60 milhões. As três instituições desenvolvem plataformas próprias e independentes entre si.
"Enquanto tem país que cortou o investimento em RNA mensageiro, o Brasil tem três plataformas, vem avançando e se preparando cada vez mais", disse o ministro da Saúde, Alexandre Padilha.
O que vem depois da Covid
A vacina testada agora foi totalmente desenvolvida na plataforma de RNAm da própria Fiocruz, sem depender de licença de tecnologia estrangeira. O instituto Bio-Manguinhos é reconhecido pela Organização Mundial da Saúde desde 2021 como centro de referência para vacinas de mRNA na América Latina.
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A tecnologia de RNA mensageiro ensina as células do corpo a produzir a proteína que provoca a resposta imunológica. É o mesmo princípio das vacinas de Pfizer e Moderna contra a Covid-19, mas agora desenvolvido e produzido no Brasil.
Com a mesma tecnologia, Fiocruz, Butantan e UFMG também desenvolvem projetos contra dengue, malária, doença de Chagas, leishmaniose e câncer. A meta declarada do governo é reduzir a dependência de fórmulas importadas e fortalecer a produção nacional de vacinas e remédios.
Concluída a fase de segurança, os resultados vão definir se a vacina avança para testes com mais voluntários, etapa que antecede o pedido de registro à Anvisa.



























