Davi Alcolumbre (União Brasil-AP) entrou na reta final da eleição com duas pressões simultâneas no Senado: pautar o fim da escala 6x1, cobrado pelo governo Lula, e decidir se avançam pedidos de impeachment contra o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).

Segundo o Metrópoles, Alcolumbre controla a agenda do plenário, influencia o ritmo das votações e decide se representações contra ministros do Supremo seguem ou ficam paradas. Na prática, uma pauta trabalhista popular e a resposta política à crise no STF passam pela mesma mesa.

A pressão do governo recai sobre a PEC 221/2019, que acaba com a escala 6x1. O texto foi aprovado na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) e espera votação em plenário. A TV Sim mostrou que o Congresso acumulava vetos parados às vésperas da eleição.

De acordo com o UOL, Alcolumbre afirmou no começo de setembro que a PEC será votada depois das eleições de 2026, ainda neste ano. A proposta reduz a jornada máxima de 44 para 40 horas semanais e prevê dois dias de descanso.

O que falta para a 6x1 ser votada?

O que falta para a 6x1 ser votada é a inclusão da PEC na pauta do plenário do Senado. Depois disso, o texto precisa de 49 votos em dois turnos, segundo o UOL, por ser proposta de emenda à Constituição.

A CCJ aprovou o parecer favorável em 2 de setembro. O texto mantém a redução da jornada em duas etapas, com corte inicial de duas horas e adoção definitiva das 40 horas após um ano e meio, conforme a cobertura do UOL.

Do outro lado da pressão, a oposição usa a crise envolvendo Moraes e o caso Master para cobrar reação do Senado. Segundo o UOL, a Casa recebeu 14 novos pedidos de impeachment contra o ministro em setembro, chegando a 65 solicitações em tramitação desde 2021.

Moraes nega irregularidades, e a disputa pelo rito ganhou peso político na eleição. A TV Sim publicou o antecedente sobre como o impeachment no STF pesa no voto, sem que isso mude a atribuição formal do Senado no processo.

O quadro explica por que senadores e candidatos tentam transformar o tema em bandeira de campanha. Ainda assim, o avanço de qualquer pedido depende da Presidência do Senado, não apenas do volume de representações apresentadas por parlamentares ou aliados políticos.

O que acontece agora

O que acontece agora é uma disputa por prioridade na agenda do Senado. O governo tenta preservar a promessa de votação da escala 6x1 depois da eleição, enquanto a oposição pressiona para que Alcolumbre destrave pedidos contra Moraes.

O próprio Alcolumbre virou personagem dessa engrenagem. Em setembro, a TV Sim mostrou que ele usa sua influência em Brasília também de olho na disputa no Amapá, o que aumenta o custo político de cada decisão tomada no comando do Senado.